18 Fevereiro 2009
01 Janeiro 2009
Novos Retalhos
Caríssimos AMIGOS, paz e bem e, antes de mais, os meus sinceros votos de que para todos quantos visitam o Retalhos o ano 2009 seja abençoado.Diz o povo que “ano novo vida nova”. Diremos nós agora que ano novo RETALHOS NOVO.
Há muito que o nosso Retalhos vinha a tornar-se difícil de abrir pela enorme quantidade de coisas que aloja.
Assim, hoje dia 1 de Janeiro de 2009, pelas 20h35 – hora de Lisboa – nasce um novo Retalhos cujo endereço é http://betus-pax2.blogspot.com
Podeis aceder a ele através do primeiro botão da esquerda na barra superior.
Obrigado por me terdes ajudado a regar esta rosa durante mais de dois anos.
Este blogue “Retalhos” foi para mim e para muitos de vós um ponto de encontro e continuará a ser. Apenas lhe oferecemos um irmão “Retalhos 2” para que possa continuar a crescer a todos os níveis.
A MINHA GRATIDÃO AOS TANTOS MILHARES QUE POR AQUI PASSASTES E CONTINUAREIS A PASSAR.
Benedicat tibi Dominus
Frei Albertino S. Rodrigues O.F.M.
30 Dezembro 2008
Gratidão e bênção para 2009
Que seria da nossa vida sem a presença de todos os que, de uma forma ou de outra, tornam possível cada dia como um DOM DE DEUS...28 Dezembro 2008
Adeste Fideles (Sagrada Família)
25 Dezembro 2008
Noite Feliz (Seminário da Luz)
Santo e Feliz Natal
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Etiquetas: Natal
24 Dezembro 2008
Noite de procura e de Luz.
Depois de um dia muito cansativo, venho ao blog para serenar. Estes dias tenho dedicado o meu tempo ao Natal exterior, é tempo do Natal interior. NOITE DE PROCURA E DE LUZ
Passo a passo vão pelo horizonte além
No cansaço de um longo caminhar,
Dirigem-se à cidade de Jerusalém
José e Maria, a fim de se recensear.
Um burrinho cansado, Maria transporta
Alheio ao milagre que em noite irá ver,
Levará Maria e José de porta em porta
E um Menino no ventre que está p’ra nascer.
E eis que é chegada a hora da Esperança
Em que a Virgem trará a Salvação.
Mas ninguém tem lugar na vizinhança
Para acolher em sua casa um Irmão.
E a noite sobre a terra vai caindo,
Frio, escuridão e neve caem também.
E o burrinho, bem cansado, vai seguindo
Levando Maria e José até Belém.
E o Menino que no ventre, é o Senhor
Não podia esperar mais p’ra nos salvar.
É num estábulo, não havia lugar melhor,
Que Maria, a Deus Menino, à luz vem dar.
Quanta alegria o burrinho e os animais
Ali pasmados diante da grande Luz.
Um bebé ali nasceu chorando em ais,
E seus pais já lhe chamavam Jesus.
Ó que noite de Luz, noite Santa,
Em que Deus connosco habitou.
A Criação inteira exulta e canta
Em adoração a quem tudo criou.
Noite da procura é agora noite da Vida
Porque Deus, o Emanuel, até nós vem,
E a humanidade que se encontrava perdida
Vê-se salva num estábulo, em Belém.
Neste dia que antecede o meu Natal
Quero fazer da minha Vida uma oração.
Oferecer ao Menino Deus, presente tal,
Que consiga esgotar meu coração.
Brilha Luz Divina sobre mim
Sobre todos os que tenho no pensamento.
Que a tua bênção desça a nós, sem fim,
Que neste Natal sejamos o teu acolhimento.
Noite de procura dum lugar p’ra dar à Luz
É a noite de todo homem e mulher também.
Que cada um possa esquecer a sua cruz
P’ra celebrar a alegria, na noite de Belém.
Frei Albertino S. Rodrigues O.F.M.
21 Dezembro 2008
Advento: Figuras
As figuras do adventoIsaías - Isaías é o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim os exilados.
As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos. Ele que no capitulo 7 do seu livro já anuncia a vinda do Senhor.
João Baptista - É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s). A figura de João Baptista ao ser o precursor do Senhor e aponta como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento. Por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo. João Baptista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profetisas do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.
José - Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adoptivo de Jesus. Ao ser da descendência de David e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de David".José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.
Maria – É a personagem central do Advento. É a "Cheia de graça", a "bendita entre as mulheres", a "Virgem", a "Esposa de Jesus", a "serva do Senhor". É a mulher nova, a nova Eva que restabelece e recapitula no desígnio de Deus pela obediência da fé o mistério da salvação. É a Filha de Sião, a que representa o Antigo e o Novo Israel. É a Virgem do Sim a Deus. É a Virgem da escuta e acolhe. Maria aceitou ser a mãe de Jesus Cristo, o Filho de Deus Salvador. A Liturgia do Advento sintetiza a função de Maria no Natal de Jesus:
"Nós vos louvamos, nós vos bendizemos e vos glorificamos pelo Mistério da Virgem Mãe. Porque, se do antigo adversário nos veio a ruína, no seio da Filha de Sião germinou aquele que nos nutre com o pão celestial, e fez brotar para todo o género humano a salvação e a paz. A graça que Eva nos arrebatou nos foi devolvida em Maria. Nela, mãe de todos os homens, a maternidade, redimida do pecado e da morte, abre-se ao dom de uma vida nova. Assim, onde havia crescido o pecado, superabundou vossa misericórdia em Cristo nosso Salvador. Por isso nós, enquanto esperamos a vinda do Cristo, unidos aos anjos e aos santos, cantamos o hino louvor" (Prefácio IV).
http://www.pucrs.br/pastoral/advento
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Etiquetas: Advento
17 Dezembro 2008
Óh! Vinde sem demora (antífonas do Ó)
As antífonas do Ó, ricas na sua beleza e no que simbolizam neste tempo do advento, são antífonas - pequenas frases que, desde hoje e até ao dia 23, rezamos ou cantamos como antífonas do Magnificat, na Oração de Vésperas, e como estrofe da aclamação ao Evangelho da Eucaristia. Refira-se ainda que nestes momentos da liturgia estas antífonas já estão um pouco mais simplificadas mas sem perderem o verdadeiro sentido original.Pesquisei na net em vários sítios, pedi ajuda aos confrades mais doutos que eu nestas coisas da liturgia. O texto que se segue é o meu resumo do que pude aprender.
Desde o dia 17 de Dezembro ao dia 23, nos momentos litúrgicos acima referidos, cantam-se as antífonas do Ó, habitualmente com melodias gregorianas, antes e depois do Magnificat. Ao que parece terão sido compostas entre os séculos VII e VIII. Pode dizer-se que no seu conjunto resumem um verdadeiro e admirável compêndio da cristologia da antiga Igreja, sendo um resumo expressivo do desejo de salvação de toda a humanidade, tanto de Israel no Antigo Testamento, como da Igreja no Novo Testamento. Trata-se de pequenas estrofes ao jeito de oração, dirigidas a Cristo e que resumem o espírito deste tempo de Advento e Natal.
Ao cantar, proclamar ou rezar estas antífonas a Igreja expressa a sua admiração diante do mistério de Deus feito Homem.
É de realçar a força com que começam, através da interjeição «Ó», que nos adentra para uma compreensão cada vez mais profunda de tal mistério, bem como a forma suplicante com que terminam: «Vem, não tardes mais!». Estas antífonas são súplicas a Cristo, reverenciando o Senhor que vem, com um título diferente em cada dia, título messiânico retirado do Antigo Testamento, mas que de alguma forma preconiza toda a plenitude que se realizará no Novo:
As antífonas em latim têm uma outra particularidade que eu não sabia e que aprendi agora. Vejamos como começam elas em latim e os dias correspondentes:
17 de dezembro: "O Sapientia" (Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo)
18 de dezembro: "O Adonai" (Ó meu Senhor, Guia da Casa de Israel)
19 de dezembro: "O Radix" (Ó Raiz de Jessé)
20 de dezembro: "O Clavis" (Ó Chave de David)
21 de dezembro: "O Oriens" (Ó Sol nascente, esplendor da Luz Eterna)
22 de dezembro: "O Rex gentium" (Ó Rei das Nações)
23 de dezembro: "O Emmanuel" (Ó Deus connosco)
Se lermos as palavras, formadas pelas letras iniciais das palavras latinas, após a interjeição “O”, e lidas no sentido inverso, da última para a primeira, encontramo-nos diante do acróstico (composição poética em que as letras iniciais dos versos, ou as do meio, ou as do final, formam uma frase ou uma palavra) «ERO CRAS».
De acordo com os meus confrades, doutos nestas cousas, “ero” significa “ontem” e “cras” significa “amanhã”.
Aumentou a minha curiosidade acerca da tradução e significado de tal acróstico. Voltei a questionar os confrades e, dizem eles, e eu assim o creio, significa «virei amanhã, serei amanhã, estarei amanhã», reflectindo desta forma a resposta do Messias à súplica dos fiéis.
Deixo aqui o texto em latim e a tradução que encontrei para a língua Lusa. Confio que esta esteja correcta e com o verdadeiro sentido do original.
Em cada dia respectivo presidirá, no painel rolante (em cima), a antífona respectiva como forma de oração desse dia.
O Sapientia, quae ex ore Altissimi prodiisti, attingens a fine usque ad finem, fortiter, suaviterque disponens omnia: veni ad docendum nos viam prudentiae.
O Adonai, et dux domus Israel, qui Moysi in igne flammae rubi apparuisti, et ei in Sina legem dedisti: veni ad redimendum nos in brachio extento.
Ó Adonai (Senhor), guia da casa de Israel, que aparecestes a Moisés na sarça ardente, e lhe destes a vossa lei sobre o Sinai, vinde salvar-nos com braço poderoso!
O Radix Jesse, qui stas in signum populorum, super quem continebunt reges os suum, quem gentes deprecabuntur: veni ad liberandum nos, jam nolli tardare.
Ó Raiz de Jessé, ó estandarte, levantado em sinal para as nações! Ante vós se calarão os reis da terra, e as nações implorarão misericórdia: Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora!
Ó Sol Nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna: Oh, vinde e iluminai os que jazem entre as trevas e na sombra do pecado e da morte estão sentados.
O Rex Gentíum, et desideratus earum, lapisque angularis, qui facis utraque unum: veni, et salva hominem quem de limo formastí.
O Emmanuel, Rex et legifer noster, expectatio gentium et Salvator earum: veni ad salvandum nos, Domine Deus noster.
Ó Emanuel – Deus-connosco, nosso Rei Legislador, Esperança das Nações e dos povos Salvador: Vinde enfim para salvar-nos, ó Senhor nosso Deus!
Termino suplicando “Maranatha!” , vem Senhor Jesus!
(fontes: Wikipédia, a enciclopédia livre, outros sítios da net e Dictionnaire de Archeologie Chretienne et de Liturgie, publié par Dom Fernand Cabral, XII, Paris, 1936, p. 1816)
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14 Dezembro 2008
Advento: Sentido e espiritualidade
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12 Dezembro 2008
Advento: Origem e simbologia
Advento, do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a", é o primeiro tempo do calendário religioso. Corresponde às quatro semanas que antecedem e preparam o Natal. Inicia no domingo mais próximo à Festa do Apóstolo Santo André, dia 30 de Novembro e termina em 24 de Dezembro. É a primeira das três etapas que, em unidade, celebram o Nascimento de Cristo:
Advento, Natal e Epifania. Para os cristãos, é um tempo de preparação, expectativa e alegria, quando os fiéis, esperando o nascimento de Jesus Cristo, vivem a conversão e promovem a fraternidade e a Paz.
Origem
A primeira referência ao "Tempo do Advento" é encontrada na Espanha, quando no ano 380, o Sínodo de Saragoça prescreveu uma preparação de três semanas para a Epifania, data em que, antigamente, também se celebrava o Natal. Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. Mais tarde o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. Surgido na Igreja Católica, este tempo passou também para as igrejas reformadas, em particular à Anglicana, à Luterana, e à Metodista, dentre várias outras.
Símbolos do Advento
Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação do Filho de Deus e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a Coroa do Advento. Ela é feita de galhos verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 velas representando as 4 semanas do Advento. A luz indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo, brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.
O simbolismo da Coroa Advento
O símbolo do Advento é a Coroa, que teve sua origem em culturas pré-cristãs da Europa. No rigoroso inverno do Hemisfério Norte se acendia fogos ao deus Sol com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse. Os primeiros missionários católicos aproveitaram desta tradição para expressar a doutrina e a fé cristãs. A coroa é formada por uma grande quantidade de símbolos:
A forma circular: O círculo não tem princípio, nem fim. Ele representa o amor
de Deus, que também não tem princípio, nem fim, nunca vai terminar, é eterno. O círculo também é símbolo de unidade e aliança entre Deus e as pessoas.
Os ramos verdes: Verde é a cor da esperança e da vida. O Cristão antecipa a vida eterna, a comunhão com Deus, a felicidade da vida futura pela virtude da Esperança.
Aguarda a plenitude da salvação trazida pelo Cristo.
As velas: As quatro velas representam essas quatro semanas e serão acesas, uma a uma, desde o primeiro domingo do Advento até o quarto domingo, sucessivamente. Isto representa a passagem da escuridão do pecado para a vida nova em Cristo, que vem como “luz do mundo”, que dissipa toda escuridão, trazendo aos nossos corações o perdão, a reconciliação e a paz tão esperada.
http://www.pucrs.br/pastoral/advento
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08 Dezembro 2008
Avé Maria... Imaculada e Mãe!
Com este clip de vídeo pretendo apenas louvar Deus em Maria, Aquela que disse SIM…
No final fica a belíssima Saudação à Bem-aventurada Virgem Maria, da autoria de S. Francisco de Assis.
(desactivar, a meio da coluna da esquerda, a música do blog e perdoem a desafinação mas também ela é louvor.)
Salvé, palácio de Deus!
Salvé, tabernáculo de Deus!
Salvé, casa de Deus!
Salvé, vestidura de Deus!
Salvé, mãe de Deus!
E vós, todas as santas virtudes, que pela graça e iluminação do Espírito Santo sois infundidas no coração dos fiéis, para, de infiéis que somos, nos tornardes fiéis a Deus.
04 Dezembro 2008
O tempo da espera...
O tempo da espera do Messias leva-nos a querer ir sempre mais além. Tal como o Povo resgatado da escravidão, pela mão de Moisés, assim nós nos sentimos num caminho que nem sempre conhecemos contudo, sabemos que é aquele que Ele nos pede para seguir. No final, bem lá no final, sentimos que, na Sua grande bondade, alguma coisa Ele tem preparada para nós.
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30 Novembro 2008
Advento: Tempo de vigiar
“Óh! Se rasgasseis o céu e descesseis...”
Entrámos uma vez mais no tempo privilegiado do ADVENTO.
O mundo corre à procura de cumprir rituais de compras e prendas. É o Natal que se aproxima...
Adento é, para quem tem fé, o tempo da vigilância, como nos pede Cristo no Evangelho: “o que vos digo a vós digo a todos, VIGIAI”.
Que poderá significar este “vigiai” para nós no tempo hodierno?
Vigiar... estar atento, não descurar os mais pequenos pormenores dos acontecimentos do nosso dia para que possamos chegar ao fim de cada dia na certeza de que de nós o Senhor não dirá: “sois servos inuteis”. Vigiar não para estar atento ao que o outro faz, no sentido do criticionismo, do derrotismo mesquinho, do não fazer nem deixar que se faça mas, vigiar para entrar cada um de nós no seu mundo interior e, aí, encontrar passos que conduzem a Cristo Menino que virá renascer em nós.
Estar vigilante parece-me a mim que é mais para um olhar interior e não exterior. O vigia é alguém que tem forçosamente que estar desperto, estar bem e conhecer-se bem para poder cuidar daqueles que lhe são confiados. Vigiar assim é sentir que outrém confia em nós, na nossa capacidade de cuidar do maior tesouro que somos. Hoje sinto assim cada um de nós diante deste Deus que, pelo Seu Filho, nos manda estar vigilantes, na fé.
Este tesouro que somos inicia caminhada para se reencontrar com a Luz. Muito há ainda a lapidar, a polir, a aperfeiçoar neste caminho mas, é exactamente em advento que esse processo se faz, é em adevnto que a esperança de voltar a ser luz ganha novo vigor porque a Luz vai surgir como a aurora.
Todos nós vivemos hoje mergulhados num mundo que não pára, é um corropio para resolver tantas coisas, acudir a tantas frentes. Mergulhados em tantas crises, a económica, a crise de identidade, a crise da sociedade, a crise dos valores humanos e familiares, onde o valor da vida parece perder-se e o valor do matrimónio parece corromper-se, e ainda a crise da fé e, aqui, tanto de nós temos que olhar para o nosso interior e acender a chama aí colocada por Deus.
Isaias apresenta-nos um povo que atira as culpas para Deus, como se fosse o próprio Deus a afastar-se. Não serão antes as acções humanas que ocupam negativamente a nossa vida não deixando um espaço para Deus? Mas é a Ele que habitualmente imputamos a culpabilidade e Ele continua ali à espera que lhe se lhe abra a nossa porta.
Advento é o tempo da vigilância, tempo de dar lugar aos Senhor que vem ao nosso encontro para ser o Emanuel, Deus connosco.
MARANATHA! Vem Senhor Jesus!
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29 Novembro 2008
Regra Franciscana e os nossos Santos e Beatos
Hoje, a Ordem Franciscana – e toda a Família Franciscana em todo o mundo – celebra a aprovação da Regra definitiva da Ordem Franciscana por Honório III, no ano de 1223. (adaptado de http://www.ffb.org.br/index.php?pg=santosfranciscanos)
Celebramos a aprovação da Regra dos Menores e também os Santos de toda a Ordem e de toda a Família.
Procurei actualizar a informação mais recente sobre a inumerável assembleia dos Santos e Beatos da Ordem e da Família Franciscana. Os dados mais fidedignos encontrados são de Lázaro Iriarte, no seu livro História Franciscana, precioso estudo para entender o fenómeno Franciscano ao longo destes oito séculos contudo são dados de há 20 anos atrás. Ao tempo, neste estudo que nos apresenta nomes e datas a 1.ª Ordem tinha 67 Santos e 125 Beatos, a 2.ª Ordem 7 Santos e 22 Beatos, a 3.ª Ordem Regular (TOR) 1 Santos e 7 Beatos, a Ordem Franciscana Secular (Vulgarmente chamada – entre nós – Ordem Terceira da Penitência) 44 Santos e 73 Beatos, Outras Congregações Franciscanas (onde inserimos os Cordígeros) 4 Santos e 9 Beatos.
Há vinte anos o Franciscanismo contava assim com 123 Santos e 236 Beatos dos quais 157 Mártires, 10 Bispos e 3 Doutores da Igreja.
Do site da Família Franciscana do Brasil retirei informação datada de Outubro de 2000 referindo que: “Santos da Primeira Ordem: 110; Santas da Segunda Ordem: 9; Santos e Santas da Terceira Ordem Regular e Secular: 53; Beatos da Primeira Ordem: 161; Beatas da Segunda Ordem: 34; Beatos e Beatas da Terceira Ordem Regular e Secular: 95. Total de Santos e Beatos da Ordem Franciscana: 462.”
Na alegria de ver reconhecido, pela Igreja, o caminho feito por tantos homens e mulheres que, ao jeito de Francisco viveram e vivem a Menoridade no mundo partilho convosco para que, com os Menores, unais a vossa gratidão e oração ao Pai.
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23 Novembro 2008
Cristo Rei e Pastor
Antes de escrever algo sobre este dia de Cristo Rei e Senhor do Universo, fui ver o que havia escrito há um ano atrás. Fiz reflexão dos textos deste ano e como são belos.Cristo, este Rei e Senhor de toda a História, é-nos apresentado como um Pastor cuidadoso pelo seu rebanho mas que ao mesmo tempo exige o cumprimento de um único mandamento, o do AMOR para com o próximo.
Onde está afinal a realeza esperada pelo Povo Hebreu? Onde está o Rei que viria a salvar Israel, onde encontrar afinal a esperança da vitória prometida por Deus contra o mal e o malígno?
A primeira leitura (Ez 34,11-12.15-17), preconiza esta realeza e, por seu intermédio, Deus revela-se próximo: “Eu próprio irei em busca das minhas ovelhas e hei-de encontrá-las. Como o pastor vigia o seu rebanho, (sobretudo as) que andavam tresmalhadas”.
Como entender humanamente que Deus haja prometido a Realeza que salva e faz justiça aos perseguidos, pobres e marginalizados, aos que se perderam pela vida? Só mesmo um reinado de armas e cavaleiros, de anjos de espada na mão, de um Rei que viria sobre os céus para resgatar os bons e aniquilar os maus. Mas... afinal que diz Deus? Ele mesmo vem ao encontro de todos, bons e maus, para os salvar? Como pode isto ser sinal de salvação e justiça, pensariamos nós se estivessemos nesse tempo da espera.
Mas é um facto que Deus promete vir Ele mesmo e não como um Rei guerreiro, descendo num cavalo branco com um exercito celeste ao Seu serviço. Ele virá como um Pastor e cuidará de todas as ovelhas: “Eu as levarei a repousar, (...). Hei-de procurar a que anda tresmalhada. Tratarei a que estiver ferida, darei vigor à que andar enfraquecida (...) velarei pela gorda e vigorosa. (...) com justiça.
Mais uma vez podemos dizer que não é fácil entender a justiça de Deus que não exclui ninguém da hipótese da Salvação. Ser justo é dar a cada um o que lhe é devido pelos seus actos, é fazer pagar o que é de direito, é repor o que foi rompido. Talvez seja aqui que Deus nos quer fazer chegar, repor a relação amorosa d’Ele connosco e, por isso mesmo, a justiça de Deus seja tão diferente da nossa: “Hei-de fazer justiça entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e cabritos”.
Curiosa esta expressão. Deus fará justiça entre “ovelhas e ovelhas”. Ele ama as Suas ovelhas e não quer que nenhuma se perca. Ama e quer reconduzir a todas de novo ao Seu redil. Isto faz-me lembrar aquela parábola dos trabalhadores da vinha a quem o Senhor paga de igual forma porque lhe é lícito fazer o que bem entender com o que é Seu, desde que não prejudique o contrato estabelecido com nenhum deles.
Todas as Suas ovelhas verão a justiça e, nesta expressão, vejo Deus como o Rei bondoso e amoroso que abre os braços a todos, bons e maus, desde que se arrependam e queiram voltar à casa Paterna.
Mas logo em seguida refere também que fará justiça “entre carneiros e cabritos”. Já não são ovelhas. Há aqui uma conotação menos luminosa, menos bela, menos amorosa. O carneiro e o cabrito talvez sejam todos os que não querem acatar o amor do Pai/Pastor, que fogem por espinheiros, escarpas perigosas, que não ouvem a voz do Pastor. Deus fará ustiça dando a cada um o que lhe é devido e aqui, talvez seja mesmo a escuridão pela ausência da Sua presença salvífica, o afastamento da vida eterna.
Em Mt 25,31-46, o Evangelista apresenta o como fará Deus esta justiça: “Quando o Filho do homem vier na sua glória com todos os seus Anjos, sentar-Se-á no seu trono glorioso”.
Cristo é a presença amorosa do Pai, é o Pastor prometido que viria salvar, é Aquele que dará a vida para que nenhum se perca dos que o Pai lhe deu.
O Rei prometido e esperado ao longo de muito séculos dirá aquando da Sua realeza: “Vinde, bem ditos de meu Pai; recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo”.
Fazer parte deste Reino preparado desde sempre implica apenas sentir a urgência do amor e da ajuda para com todos os que nos rodeiam, sobretudo os mais desfavorecidos da nossa sociedade. Tanto se ouve agora falar de crise à escala mundial, países como Portugal, Brasil e tantos outros vêm cada dia crescer mais o fosso entre ricos e pobres. Já se fala como nunca do facto de estar a desaparecer a chamada classe média das nossas sociedades. E Cristo, o nosso Rei e Senhor, Aquele de quem recebemos a herança de amar e praticar o bem e a justiça, continua a apelar à nossa consciência para as nossas atitudes concretas face aos que mais precisam. Matar a fome e a sede, vestir os nús ou visitar os enfermos e os encarcerados, acolher o peregrino são a exigência do reino de Cristo. Fazer o bem aos outros é fazê-lo ao próprio Cristo: “Em verdade vos digo: Quantas vezes o fizestes a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes”, (... e) quantas vezes o deixastes de fazer a um dos meus irmãos mais pequeninos, também a Mim o deixastes de fazer”.
Curiosamente a justiça de Deus que conduz à Salvação prometida outrora pela boca dos Profetas resume-se em fazer o bem, em amar, em acolher. Não cumprir estes requisitos é afastar-se dos braços de Deus que vem ao nosso encontro para no reconduzir a Sua casa, ao redil de onde nos afastamos tantas vezes. Creio que não é o Pai que nos enviará para o fogo eterno, não é o Rei e Senhor Jesus que nos atirará para a escuridão da morte, seremos nós ao não acolhermos o amor do Pai que, apesar dos nossos muitos pecados, nos quer resgatar dessa escuridão. Se assim não fosse teria sido em vão a vinda de Cristo à Humanidade e mais ainda a Sua morte por nós.
Isto no-lo recorda de forma tão clara o Apóstolo Paulo: (na segumda leitura -1 Cor 15,20-26.28) “Cristo ressuscitou dos mortos, como primícias dos que morreram. (...) Do mesmo modo que em Adão todos morreram, assim também em Cristo serão todos restituídos à vida”.
Se dúvidas tivessemos face ao cumprimento da promessa de Deus, Paulo arrasa-as por completo. O Homem (Adão) pecou, estabelecendo a morte e a dor, desligando o seu coração do coração amoroso de Deus. E nós, todos nós, estamos nesta estrada humana de Adão, pecamos e deixamos de sentir interiormente a Luz de Deus. Não que ela se tenha apagado em nós, creio que jamais Deus o faria uma vez que nos ungiu com o óleo da vida e da alegria, mas porque a nosso consciência de pacedo obscura essa luz. A nós como a Adão Deus pergunta “e quem te disse que estavas nú?”. A nudez de Adão estava dentro de si mesmo pela falta de conseguir ver a Luz que Deus lhe havia concedido. Isso acontece também connosco que tantas vezes nos sentimos tristes e sem saber porquê. Mas a Vida está aí ao nosso alcance, bem dentro de nós onde Deus nos quer reencontrar e trazer para o Reino de Seu amado Filho, Senhor nosso e Rei. A ressurreição é a justiça prometida onde viverá “primeiro, Cristo, como primícias; a seguir, os que pertencem a Cristo”.
A missão de Cristo, nas palavras de Paulo terminará “quando Cristo entregar o reino a Deus seu Pai. (... quando tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés”.
A dor e morte estabelecida com o pecado de Adão será também ela aniquilada com a vitória e o Reino de Jesus “porque Deus «tudo submeteu debaixo dos seus pés».”
Neste dia quero pedir a Cristo Rei e Senhor que venha reinar sobre todos nós como Pastor que nos chama não para condenar mas para nos curar as feridas, nos tomar ao colo e nos reconduzir ao Reino de Seu Pai e nosso Pai, Reino que nos está prometido desde sempre.
CRISTO REI E SENHOR DO UNIVERSO, REINA SOBRE NÓS!
Bom Domingo!
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16 Novembro 2008
Sacerdote: Mestre, Pastor e Pai
Aqui estamos de novo...
Hoje um AMIGO disse que o meu maior defeito é ser TEIMOSO. E sou defacto! Mas nem sempre a teimosia é defeito. Aqui estou depois de perguntar aos amigos mais doutos nestas cousas, e de passar longo tempo em tentativas, pronto a publicar o meu primeiro vídeo pessoal no "Retalhos". O futuro não sei... só a experiência dirá. Aqui fica um rosto, uma palavra, alguém concreto. De resto, fica a música - que fiz há uns anos - e o que me ficou desta Semana de Oração pelos Seminários.
(desactivar a música do blog)
12 Novembro 2008
Pai Nosso de toda a Espiritualidade
10 Novembro 2008
Semana dos Seminários: ORAÇÃO
Deus santo,
Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Vós criastes o mundo pela vossa primeira e última palavra
E pela primeira e última o salvastes;
Lançai no coração dos nossos jovens sementes de amor,
capazes de crescer e de fazer deles
agentes do vosso desígnio de salvação.
Vós chamastes profetas
para dizer palavras de verdade, justiça e caridade
ao povo que, por amor, escolhestes e reunistes.
Colocai as vossas palavras santas
na boca dos nossos jovens
para que não sejam espectadores passivos
mas actores atentos ao mundo que os rodeia
e, dando-se sem reservas, disponíveis para amar,
encontrem um sentido para a sua vida
e deixem a semente germinar.
Vós enviastes a Sabedoria do santo céu,
do trono da vossa glória, e com a vossa voz derrubastes
os cedros e abalastes o deserto.
Atendei às inquietações dos nossos jovens,
aos seus gritos e sussurros,
e despertai neles um amor pela Igreja,
vosso templo e corpo do vosso Filho,
para que, sem complexos nem angústias,
tenham coragem e discernimento
para responder com um sim entusiasmado
à ternura do vosso abraço.
Senhor Jesus Cristo, Filho de Maria, a serva da Palavra,
Vós semeastes a Palavra com abundância
para que frutificasse e pelo sangue que derramastes,
sangue que não tinge mas branqueia,
fostes digno de tomar o Livro
escrito por dentro e por fora
e de abrir as suas páginas seladas;
Derramai o vosso Espírito sobre os nossos seminários
e fazei com que,
acolhendo as vossas palavras de vida eterna,
sejam centelhas de esperança
e sementes de futuro para a Igreja,
no seguimento fiel e generoso da vossa vontade.
Vós que sois Deus com o Pai na unidade
do Espírito Santo.
Ámen.
09 Novembro 2008
Semana dos Seminários 2008
A Igreja dedica esta semana aos Seminários.
“São múltiplos os gestos e eloquentes os sinais que creditam e revelam a atenção e o carinho da Igreja, das comunidades, das famílias e das pessoas para com os Seminários e nos dizem que devemos ter um olhar de esperança em relação ao seu futuro e à sua imprescindível missão”, aponta o também Bispo de Aveiro na mensagem da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios para esta semana.
“A mudança cultural a que assistimos e na qual queremos participar de forma consciente e lúcida, diz-nos que estamos a viver na aurora de uma nova época”. D. António aponta que “os novos tempos exigem passos novos e gestos proféticos”.
“Os Seminários precisam de estabilidade na missão e merecem de cada um de nós e de toda a Igreja afecto, oração, comunhão e generosidade”.
O Presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios escreve que a vocação “é uma viagem, única e irrepetível”. “O Seminário é experiência, tempo e lugar de viagem de quem acredita e escuta a voz de Deus”, e este ligar constitui, “no coração da Igreja, o retomar constante da experiência pedagógica e espiritual da viagem vocacional e da aprendizagem da missão”.
D. António Francisco dos Santos afirma que a semana dos seminários que agora se abre, “insere-se no horizonte de esperança”, onde toda a Igreja é chamada a colaborar.
D. Manuel Felício, Bispo da Guarda, escreveu à igreja diocesana convidando todos a rezar e “a quem pareça reunir condições, fazer o convite directo para fazer o seu encaminhamento para algum dos nossos Seminários ou Pré-Seminário”. O Bispo dá conta de grupos de leigos e famílias, na diocese, que organizam tempos fortes de oração, com regularidade, pelas vocações sacerdotais e procuram acompanhar e encaminhar aqueles que manifestam desejo de entrar no Seminário.
Na Guarda, o ofertório das eucaristias no dia 16 de Novembro reverte a favor dos Seminários da Diocesanos.
Em Coimbra, na próxima Quinta-feira, dia 13, pelas 21.30 horas, terá lugar no Seminário Maior de Coimbra, uma Vigília de Oração.
No Funchal, está previsto, dia 8 de Novembro, um encontro vocacional do Pré-Seminário, sob o tema «A vocação de Abraão». Dia 11, será celebrada uma eucaristia no Seminário na Paróquia dos Álamos seguida de Adoração ao Santíssimo Sacramento. Dia 14, está marcada uma eucaristia no Seminário na Paróquia do Curral das Freiras seguido de Magusto do Seminário. Dia 15 está agendada recolecção dos Seminaristas e formação para a Lectio Divina, para além de um momento de oração animado pelos Seminários. Ainda neste dia, celebra-se eucaristia no Seminário na Paróquia de São Francisco Xavier na Calheta, onde haverá também testemunhos vocacionais. Programa igual recebe o Seminário na Paróquia do Loreto nesse mesmo dia. Dia 16 encontra-se a equipa formadora, pais e seminaristas no Seminário de Nossa Senhora de Fátima.
D. Manuel Clemente, bispo do Porto pede, nesta semana que em todas as paróquias se reze diariamente pelos seminários. “Que se organize pela Diocese um Lausperene pelos Sacerdotes e pelos Seminários; que se apoiem materialmente estas Casas, para que disponham das condições necessárias à formação dos candidatos; que se reconheça e estimule o trabalho dos formadores, só possível com a oração e o carinho dos crentes”.
A Diocese do Porto tem com o Seminário do Bom Pastor (Ermesinde), o Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Sé) e o Seminário de Santa Teresa do Menino Jesus (agora a começar e ligado ao Caminho Neo-Catecumenal). “São mais de 60 os seminaristas no conjunto dos três. Temos também outras Casas de formação sacerdotal, ligadas aos Institutos Religiosos”.
Mais a Sul, em Lisboa, os seminários da Diocese vão abrir as suas portas, no dia 16 de Novembro, proporcionando um contacto próximo para quem desejar conhecer melhor esta casa. Penafirme, Caparide, Olivais e Redemptoris Mater vão organizar, em conjunto, uma tarde de reflexão e oração no Seminário dos Olivais, com a presença do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo.
08 Novembro 2008
João Duns Scotus: genialidade e audácia
João Duns Scotus: genialidade e audácia
A todos os franciscanos e franciscanas,
por ocasião do encerramento do VII Centenário
da morte do Beato João Duns Scotus
Queridos Irmãos e Irmãs:
Por ocasião da conclusão da celebração do VII Centenário da morte do Beato João Duns Scotus (1308-2008), após tantas celebrações culturais e científicas, que se sucederam em todo o mundo, também nós, Ministros Gerais da Primeira Ordem e da TOR, achamos oportuno endereçar-lhes esta carta. Com ela desejamos unicamente dirigir-lhes algumas palavras para suscitar em todos os franciscanos e os simpatizantes do franciscanismo o desejo de fazer memória da eminente personalidade do Doutor Subtil e Mariano e de aprofundar o conhecimento do seu fecundo pensamento filosófico-teológico. Franciscano santo e mestre audaz, original e criador de cultura em resposta aos desafios do seu tempo, filho fiel de São Francisco, conseguiu encarnar o Evangelho e estar atento às realidades sócio-culturais da sua época, às quais jamais se eximiu e pelas quais ofereceu a sua contribuição a partir das propostas filosófico-teológicas de então.
Graças às pesquisas e aos sérios estudos dos últimos tempos, foram eliminados os prejuízos de pouca clareza que havia na linguagem escotista e a idéia de uma sutileza de pensamento que tende à abstração extrema. Como tem demonstrado Pe. E. Longpré[1], a sutileza escotista é exigência de rigor intelectual, posta a serviço do primado da caridade, a virtude sublime na prática cristã e quotidiana. Toda a força e a penetração especulativa escotista estão a serviço de uma intenção prática: Deus, Jesus Cristo, o homem, a Igreja, a criação, orientar o ser humano e evitar que desvie no amor: errar amando.
Scotus é a favor de uma práxis, mas não de um evangelismo impaciente e superficial, alérgico às especulações e à reflexão profunda e meditativa. “Neste tempo – segundo P. Vignaux – no qual muitos crentes exigem uma Igreja profética, a subtilitas convida a recordar uma grande afirmação de Karl Barth, no primeiro volume da sua Dogmática: ‘o temor diante da Escolástica é a característica dos falsos profetas. O verdadeiro profeta aceita submeter a sua mensagem a esta prova como às outras’” [2].
Do rico e fecundo patrimônio escotista nos limitamos a indicar aqui algumas pistas para tentar responder aos problemas mais urgentes do nosso tempo.
Deus segundo Scotus e o ateísmo contemporâneo
Na elaboração de sua teologia natural, Scotus parte de dois princípios bíblicos: “Eu sou aquele que sou” (Ex 3,14) e “Deus é amor” (1ª Jo 4,16), para chegar Àquele que é “Verdade infinita e bondade infinita”[3]. A existência e a essência de Deus são esclarecidas pela teologia mas, ao mesmo tempo, a metafísica as considera como o próprio objeto mais elevado. Dois saberes se correspondem: a ordem humana do divino (teologia metafísica) e a ordem divina do humano (teologia revelada), como afirma no início do Primeiro Principio: “Tu, sabendo o que de ti a mente humana pode conhecer, respondeste revelando o teu santo nome: Eu sou aquele que sou” [4].
Entre todos os nomes divinos, o mais apropriado é o Aquele que é, pois ele exprime “um certo oceano de substância infinita”[5], “o oceano de toda perfeição”[6] e “o amor por essência”[7]. No último ser infinito se encontram três primícias: a primeira causa eficiente, o primeiro fim de tudo e o mais eminente grau na perfeição, que Scotus procura evidenciar com as suas profundas e incomparáveis provas da existência de Deus.
Scotus apresenta a infinitude como a característica mais própria e configuradora de Deus. A infinitude é um modo de ser de Deus que o diferencia radicalmente de todos os outros seres. O Doutor Sutil acentua bastante a infinitude de Deus. É o conceito mais simples de qualquer atributo divino e o mais perfeito, pois o ser infinito inclui virtualmente o amor infinito, a verdade infinita e todas a outras perfeições que são compatíveis com a infinitude. Embora toda a perfeição de Deus seja infinita, sem dúvida, “existe a sua perfeição formal na infinitude da essência como na sua raiz e no seu fundamento” [8].
A exaltação do infinito se une necessariamente à exaltação do homem sob todas as criaturas finitas, que constitui uma das expressões mais características do humanismo cristão. A reflexão escotista ressalta a espiritualidade do infinito e implica a crítica do panteísmo e do materialismo, em qualquer das suas expressões manifestas ou confusas.
Scotus propõe a necessidade intelectual de aprofundar o conceito de experiência. Porém, não numa experiência qualquer (sensível, científica, intelectual), mas na experiência do necessário, porque somente este tipo de experiência nos leva à experiência da possibilidade do ser absoluto.
O Deus de Scotus, manifestado no exercício intelectual da idéia da possibilidade dos seres, personaliza em cada homem a idéia de Deus. Deus é para cada homem tudo o que o mesmo homem lhe permite ser e segundo as próprias exigências de busca e de encontro. Scotus conhece e reconhece o ocultamento e o silêncio de Deus no homem, porém, não porque Deus se retira, mas porque o homem mesmo se subtrai às exigências do absoluto e aos imperativos de aprofundamento no próprio intelecto. A compreensão de Deus depende da vontade que move ou não o intelecto para que indague em si mesmo a na realidade da vida.
Deus não está apenas lá, mas mais aqui, como fundamento de todo o real enquanto possível. Deus se faz incompreensível quando se abdica ao intelecto. O ateísmo não é efeito da acuidade do intelecto, nem o resultado da profunda penetração intelectual no mundo, mas exatamente o contrário: é uma não reflexão, uma desatenção intelectual da realidade. Scotus convida ao pensar radical, apresentando Deus não como realidade-objeto de conhecimento, mas como realidade-fundamento da existência. Deus é a solução da problemática da existência humana e secular.
O ocultamento ou o silêncio de Deus, responsável ou irresponsável, consciente ou inconsciente, é uma consequência do fato de que não ousamos pensar em Deus e que existe esta falta de fundamento intelectual em ver Deus como problema. Ao final da história da metafísica parece que Deus esteja chegando a ser impensável. Paulo VI, na sua Carta Apostólica Alma parens (14.07.1966), diz que “poderão ser encontradas no tesouro intelectual de João Duns Scotus lúcidas armas para combater e afastar a nuvem negra do ateísmo que ofusca a nossa idade”.
O cristocentrismo como visão mística do universo
O beato João Duns Scotus fazia teologia por exigências espirituais e científicas, não por simples prurido ou curiosidade intelectual. Fiel discípulo de São Francisco de Assis concentrou-se de modo especial sobre Jesus histórico, sobre seu nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição, que ele assume na sua vida de fé e no seu compromisso religioso. Desta experiência vivida ele faz teologia e procura oferecer a visão de Cristo dentro do plano salvífico de Deus. A vida real e histórica de Jesus de Nazaré era a sua meditação existencial que movia o seu pensamento na grande visão do cristocentrismo como postulado teológico para uma compreensão harmônica e sinfônica do mundo, da vida e da história.
O Doutor Sutil, muito atento à realidade e à história, destaca a humanidade e radical criaturalidade de Jesus Cristo, o seu ser homem, os seus limites humanos, a sua realidade histórica, os seus progressos e a graduação no conhecimento. “Diz-se que, deste modo, Cristo, através da experiência, compreendeu muitas coisas, por conhecimento intuitivo, ou seja, dos objetos conhecidos quanto à sua experiência e pelas lembranças deixadas por elas”[9]. Se o mistério trinitário representa a suprema unidade na vida intradivina, no mundo extra divino a máxima unidade é constituída pela união hipostática das duas naturezas entrelaçadas em Cristo e qualificada pelo mestre como “a maior união depois da união da Santíssima Trindade”[10].
Se Deus é amor infinito, pede para ser amado livremente por alguém que possa corresponder a estas exigências de infinito. Por isto previu quem possa fazê-lo, ou seja, Cristo, o Verbo, que assume a natureza humana e, nela, todos os homens para que possam participar da sua glória no céu. E porque este homem especial reassume em si toda a criação, ela termina em Deus através de Cristo[11]. Fazendo de Cristo a razão de todo o criado, Scotus se alinha perfeitamente na perspectiva de São Paulo (Col 1,15-17).
O Doutor Sutil destaca que Cristo é o centro primordial e de interesse da manifestação da glória divina ad extra. O cristocentrismo escotista sustenta e defende que Cristo é o arquétipo e o paradigma de toda a criação. Ele é a obra suprema da criação na qual Deus pode espelhar-se adequadamente e receber a glorificação e a honra que merece. Cristo é o topo da pirâmide cósmica como síntese conclusiva e que aperfeiçoa todo o criado.
O cristocentrismo escotista oferece uma visão mística do universo. O mundo se apresenta como um diáfano sacramento da divindade, um grande altar no qual se celebra a liturgia da Eucaristia, pois entre ambos está a grande presença de Cristo. São Francisco de Assis viveu esta comunhão e união entre a liturgia cósmica e a Eucaristia em perfeita harmonia, transformada em canto. Mas o Doutor Sutil conseguiu transcrever este mistério crístico numa maravilhosa página de teologia mística. O cosmo inteiro é uma grande imagem da divindade, porque nele todo está a presencialidade do seu autor e linguagem evocadora. Todo o universo glorifica Deus pois tende para Ele, causa eficiente e certamente final, mas, sobretudo porque é dotado de um impulso intrínseco que o coloca a caminho rumo à meta convergente, o Cristo ômega.
A pessoa humana como interiorização e alteridade
A clássica definição de Boécio sobre a pessoa humana “substância individual de natureza racional” não satisfaz Scotus que prefere a de Ricardo de São Vítor, o qual apresenta a pessoa como “existência incomunicável de natureza intelectual”[12]. Para o Doutor Sutil a pessoa se caracteriza como última solidão. “A personalidade exige a última solidão, ser livre de qualquer dependência real ou derivada do ser com respeito a outra pessoa”[13]. Uma certa incomunicabilidade está ligada à existência humana. A independência pessoal é “a mais” [14] que pode atingir para si no seu estado existencial e itinerante. Deste modo a solidão é o mais profundo encontro consigo mesmo. A solidão não é vazio, mas plenitude.
Na profundidade mais íntima a pessoa experimenta e vive o mistério de todo homem, de todos os homens e, com eles comunica. Por isto se pode afirmar que quem é verdadeiramente solitário é solidal, que a solidão é solidariedade. O eu, na sua profunda solidão, é sempre solidariedade com um tu, um nós. Por isto Scotus não se contenta em pôr em relevo a categoria aparentemente negativa, isto é, a incomunicabilidade, mas acentua o outro aspecto, claramente positivo, consistente num dinamismo de transcendência numa relação vinculante, pois “a essência e a relação constituem a pessoa “[15]. Portanto, a pessoa é estruturalmente relacional e criadora de laços, pois é constitutivamente referida e aberta a Deus, aos homens e ao mundo.
O homem escotista não se fecha num solipsismo metafísico, tentação permanente das filosofias idealistas, mas aparece claramente como abertura e relação, como ser indigente e criador de laços. O homem escotista traz em si um grande impulso e dinamismo que se exprime como insatisfeito desejo ou como razão de desejo e, por isso, em atitude sempre aberta.
A pessoa tem necessidade de descobrir a própria subjetividade e de aprofundá-la. Não pode, porém, fechar-se na sua subjetividade, mas deve abrir-se à alteridade. Pertinência e referência são duas categorias existenciais que pressupõem a última solidão e a relação transcendental. Scotus, com intuição genial, antecipou a filosofia dialógica que tanta importância reveste hoje nas antropologias contemporâneas.
O saber para viver bem
O pensamento escotista está muito distante de ser um todo artificial de audaciosas sutilezas, como o acusaram os adversários, ao contrário é eminentemente prático, enquanto busca conhecer e esclarecer o fim último do homem e de proporcionar-lhe os instrumentos aptos para consegui-lo. Toda a sua especulação filosófico-teológica desemboca numa atitude existencial e de ordem prática: uma ética da ação. Trata-se de uma moral do encontro e da existência comunicativa.
Scotus parte do princípio teológico de que o amor divino transcendeu o infinito para vincular-se ao finito. Em contrapartida, somente o amor humano da vontade livre poderá transcender o finito para unir-se ao infinito. Trata-se, definitivamente, de uma ética do amor. O Doutor Sutil pensou profundamente porque amou em profundidade, mas com um amor concreto, como ele mesmo diz: “Provou-se que o amor é verdadeiramente práxis”[16]. Desta práxis se compreende e se explica como o homem deve agir e viver no seu ser e estar no mundo e na sociedade.
É prático todo ato que provém do desejo da vontade, mas em condição de conformar-se à reta razão. Isto implica claramente a conformidade da vontade a uma lei, dando-se assim uma identidade entre o prático e o normativo[17]. A vontade é uma potência indeterminada que se autodetermina por si mesma. Sem dúvida a liberdade não é arbitrária nem irracional. De fato, a vontade é o vértice do intelecto racional. A liberdade se realiza na autodeterminação da vontade natural e racionalmente orientada ao bem. A ação boa é aquela que corresponde a um ato da vontade conforme a reta razão.
A vontade escotista é capaz de determinar-se acima de qualquer interesse e de valorizar-se numa ética do desinteresse. Scotus apresenta uma filosofia da liberdade dentro de uma teologia que admite a possibilidade natural de amar Deus por si mesmo e fora de qualquer interesse egoísta.
O Doutor Sutil nos oferece a esplêndida articulação de um humanismo cristão no qual o saber está a serviço do bem viver e do bom conviver, ou seja, de uma sociedade justa, pacífica e fraterna.
Conclusão
João Duns Scotus, filho fiel e coerente seguidor de São Francisco, apresenta profundos, iluminados e vitais pressupostos doutrinais para uma autêntica e robusta espiritualidade franciscana, como se apresenta evidente no seu bonito e ao mesmo tempo útil tratado sobre as virtudes teologais que ele soube encarnar na vida quotidiana com simplicidade e grande humanidade.
Deste modo, o Doutor Sutil e Mariano passa a fazer plenamente parte da rica corrente da espiritualidade franciscana, dentro da qual ele vive, se inspira e concebe o seu pensamento filosófico-teológico. Como o fundador da Família Franciscana, o beato João Duns Scotus conseguiu sincronizar harmonicamente vida e pensamento, mística e trabalho, contemplação e ação, pessoa e comunidade, ser e fazer.
Scotus chegou, com grande humildade e audácia, a colocar a sutileza do seu pensamento a serviço da causa de Deus, do homem e da vida. A sua grandiosa visão da história da salvação, com o seu dinamismo de perfeição e de consumação no Cristo ômega, pode ser o fundamento filosófico-teológico para elaborar uma mística cósmica, uma ecologia planetária e uma teologia do futuro.
As suas amplas perspectivas antropológicas e cristológicas oferecem ao homem de hoje novos horizontes de pensamento e de ação, critérios válidos para orientar-se rumo a um futuro de esperança e comportamentos fraternos para um humanismo integral do rosto humano e civilizado.
Filósofo e teólogo, audaz e comprometido, que pensa, raciocina e age a partir do concreto contexto da sua época; mas, transcendendo do seu contexto cultural, é ainda atual para encarar com lucidez e sem complexos a permanente problemática humana.
O pensamento escotista é expresso numa chave de esperança. Olha o passado para aprender, analisar o presente para agir, mas espera num futuro por esclarecer. Com uma expressão lapidária e fecunda diz que “no desenvolvimento da história humana cresce sempre o conhecimento da verdade”[18]. É todo um postulado para a interpretação de uma filosofia da cultura como realidade do porvir.
Se São Boaventura foi definido como “o segundo príncipe da Escolástica”, Duns Scotus é considerado como o seu aperfeiçoador e o representante mais qualificado da escola franciscana[19]. Esperemos que este VIII Centenário da morte do Doutor Sutil e Mariano constitua um forte impulso aos centros franciscanos de estudo, para que a sua mensagem seja ainda válida para o futuro. Se João Paulo II, em 1980, em seu discurso na catedral de Colônia o definiu “torre espiritual da fé”, isto deve constituir para os franciscanos um convite a descobrir em Scotus um pensamento fecundo para o diálogo com a cultura do nosso tempo.
Roma, 8 de novembro de 2008
Festa do Beato João Duns Scotus
Fr. José Rodríguez Carballo, OFM Fr. Marco Tasca, OFMConv
Ministro Geral Ministro Geral
Presidente
Fr. Mauro Jöhri, OFMCap Fr. Michael Higgins, TOR
Ministro Geral Ministro Geral
NOTAS:
[1] Longpré, E., La philosophie du B. Duns Scot (Firmin-Didot, Paris 1924).
[2] Vignaux, P., “Lire Duns Scot aujourd’hui”, in Regnum hominis et regnum Dei (Congr. scot., vol. VI, Roma 1978) 34.
[3] Ordinatio I, d. 3, n. 59 (ed. Vat. III, 41).
[4] Tratado acerca del primer principio (BAC, Madrid 1960), 595.
[5] Ordinatio I, d. 8, n. 198 (IV, 264).
[6] Ordinatio I, d. 2, n.57-59 (II, 149-167).
[7] Ordinatio I, d. 17, n. 171 (V, 220-221).
[8] Opus oxoniense IV, d. 13, q. 1, n.32 (ed. Vivès XVII, 689).
[9] Ordinatio III, d.14, q.3, n. 121 (IX, 472).
[10] Ordinatio III, d.6, q.1, n.45 (IX, 247).
[11] Reportata parisiensia III, d.7, q.4, n.4 (ed. Vivès XXIII, 303).
[12] Ordinatio I, d.23,n.15 (V, 355-356).
[13] Opus oxoniense III, d.1, q.1, n. 17 (ed. Vivè XIV, 45); Reportata parisiensia III, d.1, q.1, n.4 (ed. Vivès XXIII, 236).
[14] Opus oxoniense III, d.1, q. 1, n.5 (ed. Vivès XIV, 16-17).
[15] Quodlibet, q. 3, n.4 (ed. Vivès XXV, 120).
[16] Ordinatio, Prol. n.303 (I, 200).
[17] Cf. Ordinatio, Prol. n. 353 (I, 228).
[18] Ordinatio IV, d. 1, q.3, n.8 (ed. Vivès XVI, 136).
[19] Cf. Paolo VI in Alma parens; cf. Balic, K. “San Bonaventura alter scholasticorum princeps e G. Duns Scoto eius perfector”, em São Boaventura, mestre de vida franciscana e sabedoria cristã. Atos do Congresso Internacional para o VII Centenário de São Boaventura de Bagnoregio, Roma, 19-26 set. 1974 (Pontifícia Faculdade São Boaventura, Roma 1976 I, 429-446).
05 Novembro 2008
Assis: Caminhar com Francisco
http://www.youtube.com/watch?v=D7zSbO7I0ks
03 Novembro 2008
Retalhos: Dois anos de amizade
Começa a noite a anunciar a chegada de um novo dia, o dia em que nasceu o “RETALHOS”Ei-lo com um DOIS ANOS de muita vida e partilha.
Há um ano atrás reflectiamos como e porque surgiu este espaço, espaço de AMIZADE: “A amizade foi a génese do blog e o mote só poderia ser o texto de Bem Sirá 6, 5-15.
http://betus-pax.blogspot.com/2007/11/retalhos-um-ano-depois.html
Há um ano atrás eram 15.000 visitas, neste momento são 56.307 visitas de tantos países, de tantos concidadãos desta aldeia global a que demos o nome de mundo.
Dois anos depois e aqui estou eu, com o coração nas mãos, sim meio lamechas uma vez mais, porque me sinto feliz neste cantinho onde todos se sentem acolhidos. Voltei a lembrar o Principezinho e o tempo dedicado à rosa mas, desta vez quis voltar a Kahalil Gibran, no seu livro “O Profeta”, para olhar o tempo, sim o Chronos em que fomos crescendo mas também a dedicação de cada um dos amigos. Todas as citações deste texto são deste autor e obra.
Acerca do tampo diz o nosso autor: “Gostaríeis de fazer do tempo um regato em cujas margens pudésseis sentar-vos a contemplar o seu curso”
Sim, é verdade, um regato onde recuperamos paramos, refrescamos o rosto, lavamos as mãos, saciamos a nossa sede e recuperamos as forças. Aqui tanto eu como a maior parte dos visitantes nos sentimos junto a esse regato onde aprendemos a olhar para o alto e, atentos aos acontecimentos de cada dia, nos sentimos impelidos a olha para o alto num sentimento de louvor e gratidão. Razão tem Kahalil ao dizer que “aquilo que em vós canta e em vós contempla, mora ainda nos limites daquele primeiro momento que semeou as estrelas no espaço”.
E aquele primeiro momento destes Retalhos mais não foi que amizade e continua a ser cada vez mais, agora a uma escala de mais de 56000 pedaços de amizade, em cada visita, em cada palavra, em cada sentimento que fez eco em todos através da música, dos textos, da imagem...
Dois anos passados quero convosco continuar a olhar para o futuro com a certeza de que poderemos ir mais longe. Este Retalhos está pesado, já demora a abrir, e eu cada vez me apetece pôr mais e mais coisas novas mas fica sempre alguma tristeza por ter que retirar outras, igualmente bonitas e cativantes contudo, se assim não for qualquer dia não conseguiremos abrir o blog. É aqui que uma vez mais a palavra do nosso autor me/nos desafia: “Deixai que o dia de hoje, abrace com saudade o passado, e o futuro com ansiosa esperança”.
O tempo ajudará a perceber o que fazer, que rumo tomar, que opções devem ser feitas. Criar um “Retalhos 2”? Quem sabe?
Seja qual for o curso das decisões, Retalhos será sempre um lugar de amizade e encontro, de partilha e oração, de música e arte, de tempo dedicado aos amigos “porque na amizade, todos os pensamentos, todos os desejos, todas as espectativas, nascem sem palavras e partilham-se numa alegria calada”. Quantos milhares de visitantes passaram por aqui e não deixaram uma palavra. Mas passaram, por mero acaso talvez mas foram presença e tenho certeza que alguma coisa levaram deste cantinho de amizade. Levaram pelo menos, no seu silêncio, uma imagem, uma música, uma reacção que provocou o interior. Mas é este tempo dedicado que torna este blog diferente de tantos onde entro e nem uma partilha, nem um comentários encontro. Aqui vós aprendeis a conhecer-me e eu a conhecer os amigos que me rodeiam tal como diz Kahalil “que o melhor de vós mesmos seja para o vosso amigo. Se tem de conhecer o refluxo da vossa maré, que conheça também o seu fluxo”
Meus AMIGOS do Retalhos...
A vossa presença é o novo amanhecer, o novo sorriso que eu também encontro aqui ao ver que em média este blog tem entre 50 a 70 visitas diárias (e olhai que eu não entro aqui mais que umas quatro vezes ao dia).
Termino com esta frase de Kahalil que reflete bem o meu sentir neste momento de gratidão:
BENEDICAT TIBI DOMINUS
Frei Albertino Rodrigues O.F.M.
01 Novembro 2008
Festa de Todos os Santos
A festa do dia de Todos-os-Santos é celebrada em honra de todos os santos e mártires, conhecidos ou não.
«A Cristo, nós O adoramos, porque Ele é o Filho de Deus;quanto aos mártires, nós os amamos como a discípulos e imitadores do Senhor;e isso é justo, por causa da sua devoção incomparável para com o seu Rei e Mestre. Assim nós possamos também ser seus companheiros e condiscípulos!».
Martyrum sancti Polycarpi 17, 3: SC 10bis, 232 (FUNK 1, 336).
1173. Quando a Igreja, no ciclo anual, faz memória dos mártires e dos outros santos, «proclama o mistério pascal» realizado naqueles homens e mulheres que «sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados, propõe aos fiéis os seus exemplos, que a todos atraem ao Pai por Cristo, e implora, pelos seus méritos, os benefícios de Deus».2013. «Os cristãos, de qualquer estado ou ordem, são chamados à plenitude da vida cristã e à perfeição da caridade» [3]. Todos são chamados à santidade: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5, 48):
«Para alcançar esta perfeição, empreguem os fiéis as forças recebidas segundo a medida em que Cristo as dá, a fim de que [...] obedecendo em tudo à vontade do Pai, se consagrem com toda a alma à glória do Senhor e ao serviço do próximo. Assim crescerá em frutos abundantes a santidade do povo de Deus, como patentemente se manifesta na história da Igreja, com a vida de tantos santos».
In, http://www.srcoronado.com
30 Outubro 2008
Irmã Maria Josefa (Hospitaleira)
Em contexto Hospitaleiro e de comunhão, partilho convosco neste "Cantinho" RETALHOS, uma simples e breve mensagem de HospitalidadeAmanhã celebramos os 125 aniversário da morte da nossa Fundadora, Maria Josefa Récio.
Maria Josefa Récioa, nasceu em Granada a 19 de Março de 1846 e faleceu a 3o de Outubro de 1883, e todos os que a conheceram deram testemunho da sua bondade...
Em tempo de palavra (sinodal e carismática) somos chamadas a olhar para a Palavra vivencial que é Maria Josefa, uma palavra paradigmática que hoje, como ontem, ecoa HOSPITALIDADE, no tom simples e sereno da radicalidade do Amor e da dádiva gratuita da própria vida.
Celebramos este dia, como um tempo de graça para olharmos as fontes da HOSPITALIDADE e aí bebermos da água cristalina das origens.
Este é para nós um momento forte para agradecer o Dom de Maria Josefa e a vitalidade que brota da sua vida.
Com profunda gratidão louvamos o Deus da Hospitalidade pelos fundamentos pelos quais alicerçou a Congregação: vidas totalmente apaixonadas e seduzidas por Jesus, pessoas simples, comprometidas em viver com todo o seu ser o projecto de Deus. E em Josefa de modo especial Deus oferece-nos o fundamento da humildade do serviço, a raiz da radicalidade, do Amor e da generosidade, a seiva do Amor materno e fecundo...
Em Josefa descobrimos as maravilhas de um Deus Oleiro que na pequenez dócil faz maravilhas. Deixemo-nos interpelar por esta grande mulher, e com ela reaprendamos a vida a partir de dentro, do Coração de Jesus, façamos a experiência da Sua bondade e Misericórdia e como ela aprendamos a amar com todo o coração o único Deus da nossa Vida, a entregar a vida no serviço aos irmãos com generosidade e grandeza de ânimo, a servir com solicitude, a cuidar os pequeninos gestos delicados que caracterizam o estilo Hospitaleiro.
Escutemos a partir do coração, Maria Josefa: escutemo-la na vivência simples e humilde do amor e do serviço, na entrega abnegada de vida, na generosidade e disponibilidade para viver o plano do PAI...
Escutemo-la no amor, no serviço, na entrega, na esperança, no silêncio, na gratuidade, na alegria, na bondade, na grandeza de coração, na confiança, na fé..... escutemo-la.... e deixemos que ecoe no profundo do nosso coração, na verdade que somos, a radicalidade de uma vida simples, cativada pelo Coração de Deus, que viveu o amor e o serviço como o essencial da sua existência...
No céu da Hospitalidade brilham muitas estrelas, e com um brilho especial brilha a estrela da minha "amada Madre Fundadora" (RMA, p.28) como refere a Irmã Maria Angústias na relação sobre as origens da Congregação. Josefa brilha pela sua vida, que transparece a bondade do Coração de Jesus, brilha pela generosidade do seu amor vivido com audácia e sem condições, um amor tecido na humildade e deligência de serviço, na docilidade ao espírito, que moldou o seu coração tornando-o semelhante ao de Jesus manso e humilde, pobre e simples, obediente e confiado no PAI que providencialmente constrói a história do amor...
(Uma Irmã Hospitaleira)
29 Outubro 2008
CONFIA EM DEUS
27 Outubro 2008
Retalhos e as novidades
Olá a todos os Amigos deste nosso cantinho, paz e bem!
Há muito que eu não perdia algum do meu tempo a deambular pelo espaço cybernautico da blogosfera.
Deixei-me enredar uma vez mais na busca de coisas novas para poder dar mais um alento ao "Retalhos" que o torne cativante a quem nos visita, ainda que silenciosamente.
O nosso "Retalhos" está quase a fazer dois anos de existência e já ultrapassa as 55 mil visitas em apenas um ano e meio (altura em que foi colocado o contador).
Isto alegra-nos e continua a desafiar em cada dia a tornar mais cativo ao olhar e ao conteúdo.
Neste momento muitas coisas novas queria eu colocar aqui, ao nível da imagem mas, um blogue tem limitações, e para inserir novas animações outras têm que deixar de aqui estar.
A minha grande questão é o que retirar porque já cansou ou nem faz falta e o que manter.
Cada coisa nova que se insere aqui é peso para a abertura e bom funcionamento do "Retalhos".
Que fazer? O que tirar/deixar? Que critérios?
Bom... vou fazendo experiências e umas vão ficar outras sair.
Conto com a ajuda e compreensão de todos vós.
Benedicat!
24 Outubro 2008
Sínodo apresenta Mensagem final
O texto, divulgado pela página oficial do Sínodo, divide-se em quatro capítulos (A voz da Palavra: a Revelação; o rosto da Palavra: Jesus Cristo; a casa da Palavra: a Igreja; as estradas da Palavra: a missão) e 15 pontos.
“A Bíblia deve entrar nas famílias, para que os pais e os filhos a leiam, rezem com ela e esta seja para elas uma luz para os passos no caminho da existência”, pode ler-se.
Os Bispos reunidos no Vaticano destacam que “as Sagradas Escrituras devem entrar também nas escolas e nos âmbitos culturais, porque foram durante séculos a referência capital da arte, da literatura, da música, do pensamento e da própria ética comum”.
“A sua riqueza simbólica, poética e narrativa torna-a uma bandeira da beleza, seja para a fé seja para a própria cultura, num mundo muitas vezes desfigurado pela brutalidade e as porquidões”.
A Mensagem sinodal é dirigida a todos os católicos, em particular aos “pastores”, aos “muitos e generosos catequistas” e a quantos orientam a Igreja “na escuta e na leitura amorosa da Bíblia”.
Os padres sinodais consideram que o texto bíblico “apresenta também o sopro de dor que sai da terra, vai ao encontro dos oprimidos e do lamento dos infelizes”, por ter no seu cume “a cruz onde Cristo, só e abandonado, vive a tragédia do sofrimento mais atroz e da morte”.
Os fiéis são convidados a “guardar a Bíblia” nas suas casas, para que “leiam, aprofundem e compreendam plenamente as suas páginas”, transformando-as em “oração e testemunho de vida” e deixando espaços de “silêncio” neste processo.
Para evitar o “fundamentalismo”, refere o texto, “cada leitor das Sagradas Escrituras, mesmo o mais simples, deve ter um conhecimento proporcional do texto sagrado, recordando que a Palavra de revestiu de palavras concretas”, para “ser audível e compreensível para a humanidade”.
Olhar ecuménico
A mensagem recorda os “irmãos e irmãs das outras Igrejas e comunidades cristãs” que caminham nas mesmas “estradas do mundo” e que apesar das separações visíveis “vivem uma unidade real, ainda que não plena, através da veneração e do amor pela Palavra de Deus”.
Neste contexto, o Sínodo lembra os “homens e mulheres de outras religiões que escutam e praticam fielmente os ditames dos seus livros sagrados e que, connosco, podem edificar um mundo de paz e de luz, porque Deus quer que «todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade»”.
O presidente da Comissão para a Mensagem, Arcebispo Gianfranco Ravasi, considera que o texto é de “largo fôlego, com um certo pathos, para fazer com que não seja só um documento teológico”.
Estrutura
A mensagem recorre a quatro “pontos cardeais”, que correspondem aos seus capítulos. Em primeiro lugar, “a voz divina” que “ressoa desde as origens da criação”, e entra depois “na história ferida pelo pecado e sacudida pela dor da morte”.
Em segundo lugar surge “o rosto”, ou seja, Jesus Cristo, que “torna perfeito o nosso encontro com a Palavra de Deus” e revela o “sentido pleno e unitário das Sagradas Escrituras”. Seguidamente, “a casa da Palavra Divina”, a Igreja, que se ergue sobre quatro colunas: o ensino, a fracção do pão, a oração e a comunhão fraterna.
O último ponto refere-se à “estrada pela qual caminha a Palavra de Deus”.
“A Palavra de Deus deve percorrer as estadas do mundo”, incluindo “a comunicação informática, televisiva e virtual”, apontam os Bispos.
“Esta nova comunicação adoptou, em relação à tradicional, uma gramática expressiva específica, pelo que é necessário estar bem munidos, não só tecnicamente, mas também culturalmente para esta tarefa”, diz a Mensagem final do Sínodo.
23 Outubro 2008
Olhar em Deus...
19 Outubro 2008
Dia missionário (Mensagem do Papa)
"Servos e apóstolos de Jesus Cristo"
Por ocasião do Dia Missionário Mundial, gostaria de vos convidar a reflectir acerca da urgência que subsiste em anunciar o Evangelho inclusivamente nesta nossa época. O mandato missionário continua a constituir uma prioridade absoluta para todos os baptizados, chamados a ser "servos e apóstolos de Jesus Cristo" neste início de milénio. O meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, já afirmava na Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, que "evangelizar constitui, de facto, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade" (n. 14). Como modelo deste compromisso apostólico, apraz-me indicar particularmente São Paulo, o Apóstolo das nações, uma vez que no corrente ano celebramos um Jubileu especial a ele dedicado. Trata-se do Ano Paulino, que nos oferece a oportunidade de familiarizar com este insigne Apóstolo, que recebeu a vocação de proclamar o Evangelho aos gentios, em conformidade com quanto o Senhor lhe tinha prenunciado: "Vai! É para longe, é para junto dos pagãos que Eu te hei-de enviar" (Act 22, 21). Como deixar de aproveitar a oportunidade oferecida por este Jubileu especial às Igrejas locais, às comunidades cristãs e a cada um dos fiéis separadamente, para propagar até aos extremos confins do mundo "o anúncio do Evangelho, força de Deus para a salvação de todo aquele que acredita" (cf. Rm 1, 16)?
1. A humanidade tem necessidade de libertação
A humanidade tem necessidade de ser libertada e redimida. A própria criação afirma São Paulo sofre e nutre a esperança de entrar na liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 8, 19-22). Estas palavras são verdadeiras também no mundo de hoje. A criação sofre. A humanidade sofre e espera a verdadeira liberdade, aguarda um mundo diferente, melhor; espera a "redenção". E, em última análise, sabe que este novo mundo esperado supõe um homem novo, supõe "filhos de Deus". Vejamos mais de perto a situação do mundo de hoje. Se, por um lado, o panorama internacional apresenta perspectivas de um desenvolvimento económico e social promissor, por outro, chama a nossa atenção para algumas graves preocupações no que diz respeito ao próprio porvir do homem. Em não poucos casos, a violência caracteriza os relacionamentos entre os indivíduos e os povos; a pobreza oprime milhões de habitantes; as discriminações e às vezes até as perseguições por motivos raciais, culturais e religiosos impelem numerosas pessoas a escapar dos seus países para procurar refúgio e salvaguarda alhures; quando não tem como finalidade a dignidade e o bem do homem, quando não tem em vista um desenvolvimento solidário, o progresso tecnológico perde a sua potencialidade de factor de esperança e, ao contrário, corre o risco de agravar os desequilíbrios e as injustiças já existentes. Além disso, há uma ameaça constante no que se refere à relação homem-meio ambiente, devido ao uso indiscriminado dos recursos, com repercussões sobre a própria saúde física e mental do ser humano. Depois, o futuro do homem é posto em risco pelos atentados contra a sua vida, atentados estes que adquirem várias formas e modalidades.
Diante deste cenário, "sentimos o peso da inquietação, agitados entre a esperança e a angústia" (Constituição Gaudium et spes, 4) e, preocupados, interrogamo-nos: o que será da humanidade e da criação? Existe esperança para o futuro, ou melhor, há um futuro para a humanidade? E como será este futuro? A resposta a estas interrogações provêm-nos do Evangelho. Cristo é o nosso futuro e, como escrevi na Carta Encíclica Spe salvi, o seu Evangelho é a comunicação que "transforma a vida", incute a esperança, abre de par em par as portas obscuras do tempo e ilumina o porvir da humanidade e do universo (cf. n. 2). São Paulo compreendeu bem que somente em Cristo a humanidade pode encontrar a redenção e a esperança. Por isso, sentia impelente e urgente a missão de "anunciar a promessa da vida em Jesus Cristo" (2 Tm 1, 1), "nossa esperança" (1 Tm 1, 1), a fim de que todos os povos possam participar na mesma herança e tornar-se partícipes da promessa por meio do Evangelho (cf. Ef 3, 6). Ele estava consciente de que, desprovida de Cristo, a humanidade permanece "sem esperança e sem Deus no mundo (Ef 2, 12) sem esperança porque sem Deus" (Spe salvi, 3). Com efeito, "quem não conhece Deus, mesmo podendo ter muitas esperanças, no fundo está sem esperança, sem a grande esperança que sustenta toda a vida (cf. Ef 2, 12)" (Ibid., n. 27).
2. A Missão é uma questão de amor
Por conseguinte, anunciar Cristo e a sua mensagem salvífica constitui um dever premente para todos. "Ai de mim afirmava São Paulo se eu não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9, 16). No caminho de Damasco, ele tinha experimentado e compreendido que a redenção e a missão são obra de Deus e do seu amor. O amor de Cristo levou-o a percorrer os caminhos do Império Romano como arauto, apóstolo, anunciador e mestre do Evangelho, do qual se proclamava "embaixador aprisionado" (Ef 6, 20). A caridade divina tornou-o "tudo para todos, a fim de salvar alguns a qualquer custo" (1 Cor 9, 22). Considerando a experiência de São Paulo, compreendemos que a actividade missionária é a resposta ao amor com que Deus nos ama. O seu amor redime-nos e impele-nos rumo à missio ad gentes; é a energia espiritual capaz de fazer crescer na família humana a harmonia, a justiça, a comunhão entre as pessoas, as raças e os povos, à qual todos aspiram (cf. Carta Encíclica
3. Evangelizar sempre
Enquanto a primeira evangelização em não poucas regiões do mundo permanece necessária e urgente, a escassez de clero e a falta de vocações afligem hoje várias Dioceses e Institutos de vida consagrada. É importante reiterar que, mesmo na presença de dificuldades crescentes, o mandato de Cristo de evangelizar todos os povos permanece uma prioridade. Nenhuma razão pode justificar uma sua diminuição ou uma sua interrupção, dado que "a tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja" (Paulo VI, Exortação Apostólica
4. "Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!" (1 Cor 9, 16)
Caros irmãos e irmãs, "duc in altum"! Façamo-nos ao largo no vasto mar do mundo e, aceitando o convite de Jesus, lancemos as redes sem temor, confiantes na sua ajuda constante. São Paulo recorda-nos que anunciar o Evangelho não é um título de glória (cf. 1 Cor 9, 16), mas uma tarefa e uma alegria. Estimados irmãos Bispos, seguindo o exemplo de Paulo, cada um se sinta "prisioneiro de Cristo em favor dos pagãos" (Ef 3, 1), consciente de que nas dificuldades e nas provações pode contar com a força que dele nos provém. O Bispo é consagrado não apenas para a sua diocese, mas para a salvação do mundo inteiro (cf. Carta Encíclica Redemptoris missio, 63). Como o Apóstolo Paulo, ele é chamado a ir ao encontro daqueles que estão distantes, dos que ainda não conhecem Cristo, ou que ainda não experimentaram o seu amor libertador; o seu compromisso consiste em tornar missionária toda a comunidade diocesana, contribuindo de bom grado, em conformidade com as possibilidades, para destinar presbíteros e leigos a outras Igrejas, para o serviço da evangelização. Assim, a missio ad gentes torna-se o princípio unificador e convergente de toda a sua actividade pastoral e caritativa.
Vós, queridos presbíteros, primeiros colaboradores dos Bispos, sede pastores generosos e evangelizadores entusiastas! Não poucos de vós, ao longo destas décadas, partiram para os territórios de missão, a seguir à Carta Encíclica Fidei donum, cujo 50º aniversário há pouco comemorámos, e com a qual o meu venerado Predecessor o Servo de Deus Pio XII deu impulso à cooperação entre as Igrejas. Formulo votos a fim de que não definhe esta tensão missionária nas Igrejas locais, apesar da escassez de clero que aflige não poucas delas.
E vós, amados religiosos e religiosas, caracterizados por vocação por uma forte conotação missionária, levai o anúncio do Evangelho a todos, especialmente aos que estão distantes, mediante um testemunho coerente de Cristo e um seguimento radical do seu Evangelho.
Todos vós, prezados fiéis leigos que trabalhais nos diversos âmbitos da sociedade, sois chamados a participar na difusão do Evangelho de maneira cada vez mais relevante. Assim, abre-se diante de vós um areópago complexo e multifacetado a ser evangelizado: o mundo. Dai testemunho com a vossa própria vida, do facto de que os cristãos "pertencem a uma sociedade nova, rumo à qual caminham e que, na sua peregrinação, é antecipada" (Spe salvi, 4).
5. Conclusão
Caros irmãos e irmãs, a celebração do Dia Missionário Mundial encoraje todos vós a tomar uma renovada consciência da urgente necessidade de anunciar o Evangelho. Não posso deixar de relevar com profundo apreço a contribuição das Pontifícias Obras Missionárias para a acção evangelizadora da Igreja. Agradeço-lhes o apoio que oferecem a todas as Comunidades, de maneira especial às mais jovens. Elas constituem um válido instrumento para animar e formar missionariamente o Povo de Deus e alimentam a comunhão de pessoas e de bens entre os vários membros do Corpo místico de Cristo. A colecta, que no Dia Missionário Mundial se realiza em todas as paróquias, seja um sinal de comunhão e de solicitude recíproca entre as Igrejas. Enfim, que no povo cristão se intensifique cada vez mais a oração, meio espiritual indispensável para difundir no meio de todos os povos a luz de Cristo, "a luz por antonomásia" que resplandece sobre "as trevas da história" (Spe salvi, 49). Enquanto confio ao Senhor a obra apostólica dos missionários, das Igrejas espalhadas pelo mundo e dos fiéis comprometidos em várias actividades missionárias, invocando a intercessão do Apóstolo Paulo e de Maria Santíssima, "Arca da Aliança viva", Estrela da evangelização e da esperança, concedo a todos a Bênção apostólica.
Vaticano, 11 de Maio de 2008.
PAPA BENTO XVI
17 Outubro 2008
Dizer Leiria: a alegria de ser Franciscano
“Queremos dizer em Leiria, com «espírito renovado e alegre», que é possível viver na cidade com espírito de solidariedade, prestando particular atenção aos múltiplos problemas que afectam a nossa juventude”.
Por outro lado esta acção visa proporcionar aos jovens franciscanos, e àqueles que queiram conhecer o carisma franciscano, um espaço de conhecimento (entre jovens, movimentos e grupos franciscanos), de partilha de fé, de reflexão e de oração, e ainda, conhecer e divulgar a presença histórica e actual do franciscanismo na cidade de Leiria.
(www.ecclesia.pt)
13 Outubro 2008
Fátima: um adeus
07 Outubro 2008
Externato da Luz: 50 anos a educar
Podiamos falar hoje da pedagogia franciscana para a formação da pessoa humana, uma pedagogia que se centra sobretudo em olhar a pessoa como Dom e, por isso mesmo, sinal do nosso mais profundo respeito e preocupação.Faz hoje cinquenta anos que em Lisboa, a Ordem Franciscana, inicia a sua missão de educar e ajudar a formar crianças da nossa cidade, que não estavam nem em Seminário (como Varatojo, Leiria, Luz), nem em Colégio interno (como Montariol) mas numa escola externa que pretendia acima de tudo formar homens e mulheres para um futuro mais consciente do bem comum e dos valores de cidadania.
É assim que surge o Externato da Luz, no rés do chão do Seminário com o mesmo nome. Desde então até aos nossos dias muito cresceu esta nossa Escola. Centenas, milhares de alunos e alunas por aqui passaram e deixaram marcas, levando certamente a nossa marca de procurar ser fermento de paz e bem na sociedade.
Podemos afirmar, passados estes 50 anos, que a missão não foi cumprida. Não, não foi cumprida porque se tivesse sido hoje não celebraríamos tão grande efeméride. A missão de formar e educar homens e mulheres para o futuro jamais se pode cumprir na medida em que exige sempre mais em cada dia. Só assim o Externato da Luz pôde ir crescendo a todos os níveis. Hoje orgulhamo-nos da nossa história e missão, de todos os que por aqui passaram desde a primeira hora, Confrades, alunos e pais, educadores e professores, funcionários e catequistas, tanta gente que foi a alma desta missão educativa ao jeito da paz e do bem que continua a ser o lema desta escola. Escola externa com carisma franciscano, o carisma de ser sinal da presença dos valores humanos e evangélicos junto daqueles que formaram e formam a nossa Comunidade Educativa.
Ensinar as ciências da palavra, dos números, da arte, do desporto, do bem fazer nunca se afastou da preocupação de ensinar a ciência que leva ao encontro da fé. O Externato da Luz Baptizou dezenas largas de alunos, ministrou a Sagrada Eucaristia a alguns milhares, apresentou a Bispo muitos para a Confirmação na Fé. Quantos passos dados no intuíto de fazer chegar a missão de ser anunciadores do Evangelho no respeito plena pela pessoa humana e as suas crenças ou convicções. Ainda hoje o nosso Externato não faz acepção de credos, não obriga a ser Cristão, para fazer parte da Comunidade educativa. Podemos dizer que, nesta perspectiva tão franciscana, esta escola vive há 50 anos um perfeito diélogo de ecumenismo, bem ao jeito de Francisco de Assis.
Nos últimos 10 anos já passaram pelas minhas aulas alunos ligados ao Judaísmo, ao Induísmo, ao Islamismo e até mesmo a uma ou outra Seita. O que de bom pudemos transmitir enquanto cristãos e franciscanos foi certamente o respeito por todos e a preocupação pelo bem estar e boa integração na Comunidade Educativa.
Nesta hora um pensamento de gratidão por todos quantos tornaram e tornam hoje possível esta presença fraciscana no ensino em Portugal.
A toda a Comunidade Educativa que hoje celebra este feito grande para todos nós o meu mais que sincero obrigado por tudo o que têm sido para nós e para os nossos alunos. Que daqui a outros 50 anos o Externato da Luz continue a ser uma boa escola de formação humana onde os valores da cidadania e do bem comum possam continuar a ser preocupação; afinal... são os valores do Evangelho também.
Obrigado final aos muitos AMIGOS que aqui nasceram, muitos que o tempo e a história levou, e poucos, mas muito grandes no íntimo do coração que a história e o tempo tornam presentes em cada dia e sempre com um renovado orgulho por terem passado pelas salas de aula e pela Capela do nosso Externato da Luz.
“Que o Senhor vos abençoe e vos guarde...”
Fr. Albertino Rodrigues ofm
(Coordenador da Pastoral do 2.º e 3.º ciclos)
04 Outubro 2008
Meu Poverello de Assis
Ao terminar este dia tão grande para todo o mundo, contemplo a foto desta imagem que veneramos na nossa igreja... a beleza deste olhar, a ternura deste encontro, a entrega deste enamoramento só pode despertar em mim a alegria de ser Menor...
Francisco, Poverello de Assis
Teu olhar silencioso, sinal de Amor.
Qual Cristo, hoje, o mundo todo diz
Te tornaste na peugada do Teu Senhor.
Teu dia termina e o cosmos inteiro
Canta a alegria em ti irmanada.
Pois só tu foste fiel mensageiro
Do amor de Deus na beleza criada.
A irmã lua, o sol e as estrelas
Cantam, neste dia, um hino fulgurante.
A terra mãe, o vento, criaturas belas,
Rejubilam, no céu, uma entrada triunfante.
Eras tu, Francisco, o ser Menor
Que na terra sinal foste de paz e bem.
Agora, lá no céu, és dos Santos o maior
E cá na terra és cantado mundo além.
Neste dia obrigado quero dizer
A ti, Pai dos pobres da humanidade,
Pois sem ti, pobre o mundo deveria ser
Sem sentido encontraria p’ra Fraternidade.
Teu olhar cruzou um dia o meu olhar
Rendido me senti ao teu encanto
E se perco dia a dia o meu sonhar
Só em ti recobro a força do meu canto.
E elevo às alturas a voz cansada
No louvor por tão nobre Pai e amigo
E a ti volto a confiar a vocação dada
Na certeza que estarás sempre comigo.
Lança, hoje, sobre mim a tua bênção
Ó Patriarca dos pobres, irmãos meus,
Estende, Francisco, o teu olhar, a tua mão
Sobre aqueles que recordo e que são teus.
Reafirmo a vocação de ser Menor
Ao teu jeito de viver o Evangelho,
Quero em mim sentir aquele amor,
Por Cristo, matando em mim o homem velho.
Glória seja dada a Deus que te criou
Como mensageiro da paz e do bem.
Toda a terra, neste dia, te celebrou
E no céu os Anjos cantaram, Amén!
Frei Albertino Rodrigues O.F.M.
03 Outubro 2008
Francisco e a irmã morte...
Ano de 1226. Francisco está muito debilitado. O seu estômago não aceita mais alimento algum. Chega a vomitar sangue. Como pode um corpo tão enfraquecido, já tão morto, ainda não ter desfalecido? Transportado de Sena para Assis, Francisco ainda encontra forças para exortar os que acorrem a ele. E aos irmãos diz: "Meus irmãos, comecemos a servir ao Senhor, porque até agora bem nada fizemos de bom". Ao chegar a Assis, um médico se apresenta e constata que nada mais resta a fazer. Ao que Francisco exclama: "Bem-vinda sejas, irmã minha, a morte!" E convida aos irmãos Ângelo e Leão para cantarem o Cântico do Irmão Sol, ao qual Francisco Acrescenta a última estrofe em louvor a Deus pela morte corporal.
Aproximando-se a hora derradeira, Francisco deseja ser levado para a capelinha de Nossa Senhora dos Anjos, na Porciúncula, onde tudo havia começado. Lá, num gesto de despojamento, de identificação com o Cristo crucificado e de integração com o Pai, pede que o deixem, nu, sobre a terra e diz aos frades: "Eu cumpri a minha missão. Que Cristo vos ajude a cumprir a vossa". Despede-se de todos os irmãos; abençoa-os; lembra-lhes que "o Santo Evangelho é mais importante que todas as demais instituições". Anima o seu médico, dizendo-lhe: "Irmão médico, diz com coragem que a minha morte está próxima. Para mim, ela é a porta para a vida!" E, então, canta o Salmo 142. Francisco parte cantando, cortês, hospitaleiro e reconciliado com a morte.
O canto de Francisco está baseado numa percepção realista da morte: "Nenhum homem pode escapar-lhe". Francisco acolhe fraternalmente a morte. Nele realiza-se, de forma maravilhosa, o encontro entre a vida e a morte, num processo de integração da morte.
Francisco acolhe a vida assim como ela é, ou seja, na sua exigência de eternidade e na sua mortalidade. Tanto a vida como a morte são um processo que perdura ao longo de toda a vida. A morte faz parte da vida.
A grandeza espiritual e religiosa de Francisco no saudar e cantar a morte significa que já está para além da própria morte; ela, é a condição de viver eternamente, de triunfar de modo absoluto, de vencer todo embotamento do pecado que a transforma em tragédia. Francisco soube mergulhar na fonte de toda a vida. "Enquanto Deus é Deus, enquanto Ele é o vivente e a Fonte de toda a vida, eu não morrerei, ainda que corporalmente morra!" (L. Boff).
29 Setembro 2008
PARABÉNS LUISINHO
(Foto do Luisinho, publicada com a devida autorização dos pais)
A dignidade da Vida e da pessoa humana tem sido, nos últimos tempos – a meu ver – tão mal falada e debatida na comunicação social, no passeio das ruas e no café. Tem sido tão mal discutida na nossa Assembleia da República onde assuntos como “aborto”, “eutanásia”, “divórcios facéis”, como se a vida e os Direitos da pessoa humana fossem uma máquina ou um computador que está na moda porque – estes referidos temas – foram apanágio de campanhas políticas.
Dão-se apoios a interrupções voluntárias da gravidez sem pensar na Vida gerada, sem criar condições de assistência às mães e filhos em sofrimento, sem criar postos de trabalho para quem quer levar um vida digna para poder manter vivo o laço familiar que ainda une, felizmente, muitas das nossas famílias.
Hoje na minha família nasceu mais um bebé, o Luisinho. Sim, é verdade, estou feliz, ou melhor, duplamente feliz.
Enquanto muitas mães matam os seus filhos ainda no seu ventre, estes meus sobrinhos Luís e Virgínia lutaram anos a fio para terem a alegria de ser pais biológicos, mesmo sendo já pais “adoptivos” de uma linda menina com quem têm todo o amor e cuidado na educação humana e cristã que qualquer criança desejaria ter.
Mas... o sonho de ser pai e mãe biológico nunca os fez desanimar e, mesmo no meio de tantas dificuldades onde um Estado deveria olhar e ajudar mais estas famílias - quantas neste momento lutam pelo mesmo e sem apoio nem sequer para uma consulta – os meus sobrinhos são já pais biológicos.
Duplamente feliz me encontro pela coragem que tiveram e que hoje viram coroada com o novo ser que deram à luz, e por ter agora mais um sobrinho neto para juntar às duas lindas sobrinhas netas que já tenho.
É a VIDA que se gera e que perpectua a grandeza do que somos, seres criador por Amor e para o Amor.
Aos meus sobrinhos e papás felizes o meu abraço muito afectuso e a certeza de que Deus por meu/nosso intermédio continuará a ajudar. Parabéns a mana adoptiva que está feliz por ter um mano bebé.
Parabéns ao Luisinho que hoje nasceu depois de uma gravidez com alguns cuidados e de um parto que também era de risco.
Um beijinho grande para ti meu querido sobrinho neto e que um dia possas ser tu a ler neste espaço a alegria com que o teu tio avô escreveu estas palavras.
Celebra a Igreja neste dia a Festa dos Arcanjos S. Miguel, S. Gabriel e S. Rafael.
A Eles te consagro neste dia para que sejam os teus anjos da guarda em cada momento do teu viver.
Obrigado aos amigos que rezaram para que tudo corresse bem. Deus vos recompense.
24 Setembro 2008
Oração pela Índia (AIS)
A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que se dedica especialmente a ajudar os cristãos que vivem em situações difíceis de perseguição e pobreza, lança um apelo a toda a Igreja para que reze pelos cristãos da Índia.
O Pe. Joaquín Alliende, Assistente Eclesiástico Internacional e Presidente da AIS, explicou que, devido ao contacto directo que esta instituição mantém com os bispos locais, tem informação «de quanto alarme e medo estremecem o coração dos nossos irmãos».Os cristãos na Índia, afirma o Pe. Alliende, «são tratados como cidadãos de segunda categoria. Eles sentem-se desprotegidos. Os sacerdotes, para não comprometer as famílias cristãs, tiveram de se refugiar nos bosques».«A nossa oração por eles é urgente. Para evitar mais mortos, mais incêndios de igrejas, profanações de lugares santos e destruição de centros de atenção aos mais necessitados, convido todos a orarem pelos cristãos da Índia nesta hora de perigo.»
A AIS organiza uma jornada de oração no dia 24 de Setembro, festividade de Nossa Senhora das Mercês.
Junte-se a esta corrente de oração, dedicando uns minutos do seu dia a todos cristãos perseguidos na Índia.
O presidente da AIS escreveu esta oração para rezar pelos cristãos perseguidos na Índia:
Amen
22 Setembro 2008
Perfeita Alegria (S. Francisco)
Certo dia, estando o bem-aventurado Francisco em Santa Maria, chamou o irmão Leão e disse-lhe:
– Irmão Leão, escreve
Este respondeu-lhe:
– Estou preparado,
– Escreve – disse-lhe – em que consiste a verdadeira alegria.
Supõe que chega um mensageiro com a notícia de que todos os mestres de Paris entram na Ordem. Escreve: “Não é essa a verdadeira alegria”.
E que, além disso, deram também entrada na Ordem todos os prelados ultramontanos, arcebispos e bispos, e ainda os reis de França e da Inglaterra. Escreve. “Não está nisso a verdadeira alegria”.
E que igualmente os meus irmãos partiram para entre os infiéis e os converteram todos à fé. E, além disso, que eu próprio recebi muitos milagres. Pois digo-te que ainda em nada disto está a verdadeira alegria.
Qual é, então, a verdadeira alegria?
Supõe que eu, ao voltar da Perúsia, chegava aqui altas horas da noite. É Inverno. Está tudo enlameado e o frio é tanto que da orla da túnica pendem sincelos que abrem feridas nas pernas e as fustigam até as fazer sangrar.
E, coberto de lama, gelado, a tiritar de frio, chego à porta. Depois de estar bastante tempo a tocar e a chamar, aparece o irmão e pergunta:
– Quem é?
Eu respondo: – Sou o irmão Francisco.
E ele replica:
– Fora daqui. Isto não são horas decentes de se andar pelos caminhos. Aqui é que tu não entras.
E, perante nova insistência da minha parte, responde:
– Fora daqui. Tu não passas de um simplório, um labrego. Connosco é que não ficas. Já cá temos muita gente e não precisamos de ti para nada.
De novo me aproximo da porta para lhe dizer:
– Por amor de Deus, deixai-me ficar aqui esta noite.
Resposta dele:
– Não estou disposto. Vai ter com os crucíferos e pede-lhes que te recebam.
Se eu levasse tudo isto com paciência e sem ter perdido a calma, digo-te que está nisto a verdadeira alegria e também a verdadeira virtude e o bem da alma.
Editorial Franciscana
17 Setembro 2008
Estigmatizado do Monte Alverne
Hoje celebramos o dia em que Cristo, na Sua misericórdia, imprimiu no corpo de Francisco as Suas Santas Chagas. Dois anos antes da sua morte, Francisco, abrasado de amor pelo Crucificado, pede a Cristo que antes de receber a irmã morte lhe conceda experimentar no seu próprio corpo as chagas e dores que Cristo suportara no alto da Cruz.Deixo a partilha de um confrade e a oração de João Paulo II
"E agora, anuncio-vos uma grande alegria e um milagre extraordinário. Não se ouviu no mundo falar de tal portento, excepto quanto ao Filho de Deus, que é o Cristo Senhor. Algum tempo antes de sua morte, o nosso irmão e pai (Francisco) apareceu crucificado, trazendo gravadas em seu corpo as cinco chagas, que são verdadeiramente os estigmas de Cristo. As suas mãos e os seus pés estavam trespassados, apresentando uma ferida como de prego, em ambos os lados, e havia cicatrizes da cor escura dos pregos. O seu lado parecia trespassado por uma lança e muitas vezes saíam gotas de sangue". (CFI5)
Em 1224, no Monte Alveme, Francisco recebe os estigmas da paixão do Senhor, provavelmente, no dia de São Miguel Arcanjo, 29 de Setembro. A impressão das chagas, em seu corpo, não foi senão a coroação de toda uma vida. Desde o início de sua conversão, ele se deslumbrava ao contemplar o Cristo de São Damião, tão humano, tão despojado, tão pobre e crucificado. Por isso, este Cristo ocupa o lugar central de toda sua vida: "Não quero gloriar-me a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo" (Gal 6,14). Foi ante este Cristo, que compungido rezou: "Ilumina as trevas de meu coração, concede-me uma fé verdadeira, uma esperança firme e um amor perfeito" (OCD). E continua: "Nele está todo perdão, toda graça e toda glória, de todos os penitentes e justos" (1 R 30).
A cruz, fonte de vida
Francisco e o Cristo
A recompensa do Pai
Fazer a vontade de Pai
João Paulo II
13 Setembro 2008
Exaltação da Santa Cruz
A Igreja celebra neste próximo domingo a festa de exaltação da Santa Cruz, isto é, uma homenagem à cruz salvadora de Jesus Cristo.
Esta festa é muito antiga e remonta ao ano 335, quando foi inaugurada a igreja construída pelo Imperador Constantino, no alto do Calvário, em Jerusalém, lembrando a morte e a ressurreição do Senhor. Na mesma época foi construída a igreja da Santa Cruz, em Roma, para abrigar as madeiras trazidas pela mãe de Constantino, Santa Helena. Seriam relíquias autênticas da cruz de Jesus. Estas madeiras estão lá até hoje, na Basílica da Santa Cruz, em Roma, para a veneração do povo.
No começo, a festa era celebrada a 13 de dezembro, mas depois que a festa veio para o Ocidente, com o nome de exaltação da santa cruz, o dia passou para 14 de setembro.
(in, http://www.mitranh.org.br)
Em Portugal a devoção à Santa Cruz, e em todo o mundo também, foi introduzida de forma muito especial pelos Franciscanos, através da Veneração das Chagas de Cristo e do caminho da Via Sacra.
Ainda hoje, pelo mundo e em muitos lugares de Portugal, como a minha Aldeia e a cidade de Barcelos, esta Festa se celebra no dia 3 de Maio.
A explicação desta data pode estar na devoção à Cruz que a partir dos Franciscanos da Terra Santa se estende a todo o mundo, os símbolos da Ordem Terceira de S. Francisco são precisamente as cinco chagas de Cristo. 3 de Maio porque diz a lenda que esta festa se celebrava na Gália neste dia sob o nome de invenção da Sta Cruz. Era a memoria por ocasião da descoberta da Santa Cruz por Santa Helena, mãe do Imperador Constantino, que se terá dado, diz a referida lenda neste mesmo dia no ano 320.
Outra explicação que encontramos é a de que neste mesmo dia Heráclito (talvez não o filósofo - não pude apurar correctamente - terá recuparado a madeira sob a qual teria sido crucificado Cristo e que fora levada pelos Persas. Recuperada e reconstituida, esta foi levada por Heráclito, neste dia 3 de Maio, pelo calvário como forma de Veneração a tão alto patíbulo. Esta vitória do Cristianismo sobre o reino Persa terá sido pelo século VII.
12 Setembro 2008
Santíssimo Nome de MARIA
08 Setembro 2008
Natividade da Virgem Santa Maria
A Natividade de Nossa Senhora é a festa de seu nascimento.
«A vinda do Filho de Deus à terra, foi preparada, pouco a pouco, ao longo dos séculos, através de pessoas e acontecimentos. Entre as pessoas escolhidas por Deus para colaborarem no Seu projecto de salvação, houve uma, à qual foi confiada uma missão única: Maria, chamada a ser a Mãe do Salvador e cumulada, por isso, de todas as graças necessárias ao cumprimento dessa missão. O nascimento de Maria foi, portanto, motivo de esperança para o mundo inteiro: anunciava já o de Jesus. Era a autora da salvação a despontar; «Ela vem ao mundo e com Ela o mundo é renovado. Ela nasce e a Igreja reveste-se da sua beleza». (Liturgia bizantina).
Felicitando a Mãe do Salvador, no dia do Seu aniversário natalício, peçamos a graça de à Sua semelhança, colaborarmos, generosamente, na salvação do mundo.- do Missal Popular Ferial (8 de Setembro)
04 Setembro 2008
Varatojo: Existência: Risco e Oferta (S. Paulo)
Coloca-se agora diante do nosso olhar a perpectiva Paulina da nossa existência enquanto risco e oferta. Para tal tomamos por base o texto que se segue:“Considerai, pois, irmãos, a vossa vocação: humanamente falando, não há entre vós muitos sábios, nem muitos poderosos, nem muitos nobres. Mas o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus. É por Ele que vós estais em Cristo Jesus, que se tornou para nós sabedoria que vem de Deus, justiça, santificação e redenção, a fim de que, como diz a Escritura, aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.” (1 Cor 1, 26-31)
Paulo é um convertido ao Senhor e, por Ele mesmo, chamado à missão apostólica. Não se trata de um mais como tantos milhares que seguiam Jesus e se baptizavam. Paulo segue Jesus para o matar nos Seus irmãos e Jesus depara-se no caminho de Paulo para lhe dar a vida, uma vida nova. Este encontro trabnsforma o Paulo perseguidor no Paulo zeloso pela causa do Evangelho. Podemos dizer que ele se torna assim no apaóslo da liberdade para a qual Cristo nos redimiu.Trata-se de uma libertação redimida com e para o amor. A liberdade cabe nas medidas do mundo mas não fica aí presa, ultrapassa os horizontes do mundo para chegar à redenção definitiva da pessoa humana em Cristo Jesus.
Por isso mesmo podemos afirmar que, esta liberdade redentora, não é uma liberdade política, social ou económica na medida em que estas nem sempre deixam o homem livre para poder ser feliz e ter esperança e objectivos na sua vida. Trata-se daquela realidade última proclamada pelos profetas, trazida à nós pela redenção de Jesus e que se consumará na eternidade como expressão última do amor de Deus por nós. Esta certeza a tem muito clara o apóstolo Paulo e porque não dizê-lo o próprio Francisco de Assis que permanentemente nos apela a fazer tudo com o olhar e o coração em Deus, chegando Francisco a prometer em nome de Deus a vida eterna a quem cumprir a santíssima vontade do Pai. Neste sentido podemos afirmar que um dos maiores legados que estes dois vultos da história da Igreja nos deixaram foi este seu anúncio Kerigmatico.
Aqui deparamo-nos, no nosso existir, com uma dupla perspectiva: o risco e a oferta.
Poderíamos aqui recorrer a alguns textos dos Actos dos Apóstolos, sobretudo os capítulos 13 a 15 onde este anúncio Kerigmático como risco e oferta está bem patente na missão de Paulo e Barnabé. Ouvindo a sua palavra muitos se convertem e baptizam mas outros instigam os judeus e os pagão a que os tratem mal, apedrejem e expulsem das suas terras. Mesmo assim, correndo risco de vida, Paulo e Barnabé continuam sem cessar a sua missão de levar a Palavra de Cristo a todo o mundo pagão.
Vivem o risco de uma existência apostólica pela causa do Evangelho pondo em perigo as suas próprias vidas porque não se trata apenas de assumir uma tarefa mas sim um compromisso que conduz à Fé em Cristo Jesus. A tarefa/missão leva ao crer/fé que compromete o todo do ser humano.
A credibilidade à mensagem ganha força na tarefa exercida quando anunciamos com a vida. Em Paulo esta é manifestada diante dos judeus e pagãos que lutam contra o Evangelho nos nossos dias manifesta-se nos grupos e teorias modernas que procuram esconder o testemunho dos crentes e o anúncio da presença redentora de Cristo em nós.
Mas é aqui que Paulo continua a exclamar em nós: “se eu anuncio o Evangelho, não é para mim motivo de glória, é antes uma obrigação que me foi imposta: ai de mim, se eu não evangelizar!” (1 Cor 9, 16)
Esta atitude de Paulo traz em si uma espécie de imperativo de consciência da alma, um compromisso credível e vital.
É imperativo anunciar a Cristo que com o Seu poder salvífico vem ao encontro de Paulo no caminho, o chama e envia ao anúncio da Boa-nova.
Cristo é o poder de todos os outros poderes, é eterno e não perecível e falível.
Urge destronizar os poderes do mundo, não destruir mas simplesmente destronizar, através do nosso compromisso kerigmático. Não se trata de substituir nada mas de combater com “dureza” o bom combate da fé. Aqui Paulo continua a dar-nos o testemunho de si mesmo: “Quanto a mim, já estou pronto para oferecer-me como sacrifício; avizinha-se o tempo da minha libertação. Combati o bom combate, terminei a corrida, permaneci fiel. A partir de agora, já me aguarda a merecida coroa...” (2 Tm 3, 6-7).
Este combate pela fé, e não uma simples luta, tudo leva à obediência a Cristo, não pela inteligência mas pela confiança. Obedecer implica sempre da nossa parte confiar e confiar implica sempre conhecer.
É nesta dialética que a nossa existência se torna um risco na medida em que é uma constante procura do verdadeiro sentido da nossa vida como que num permanente sobressalto: “Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque Ele tem cuidado de vós. Sede sóbrios e vigiai, pois o vosso adversário, o diabo, como um leão a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé, sabendo que a vossa comunidade de irmãos, espalhada pelo mundo, suporta os mesmos padecimentos.” (1 Pd 5, 7-9)
Ontem como hoje, Pedro, continua a exortar-nos a esta confiança em Cristo e a estar atentos para que o mundo não destrua o legado da fé que recebemos e que temos a misão vital de anunciar.
O mundo e a nossa sociedade com os seus esquemas e filosofias não se compadece dos que têm fé e a querem anunciar, mas procura de forma mais clara ou mais dissimulada destruir tudo que que é anúncio e testemunho da realidade que Deus é em nós. Por isso mesmo não se avizinham tempos de uma catequização pacífica mas de um bom e são combate pela guarda da fé.
Paulo e Pedro estão presentes no mundo, nas tribulações e nos riscos, mas jamais deixam fugir a ocasião fugitiva, ou seja, não deixam que passe a hora do anúncio. É aqui e agora que somos chamados a ser sinal de Deus no mundo porque amanhã já pode ser tarde, já outros momentos se nos deparam e se não anunciamos no aqui e agora os de hoje perdem a oportunidade da salvação.
Paulo assume a sua existência humana como uma existência em Cristo: “Estou crucificado com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. E a vida que agora tenho na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gal 2, 19-20)
O existir apostólico reflete não só a morte de Cristo mas também a ressurreição pelo modo como os outros veêm que anunciamos. Isto conforta-nos porque na nossa debilidade pessoal, na nossa mortificação, se manifesta a força de Deus como no-lo continua a referir Paulo: “De bom grado, portanto, prefiro gloriar-me nas minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Por isso me comprazo nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias, por Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte.” (2 Cor 129-10)
Na nossa fraqueza Deus chama-nos a sermos seus colaboradores na ordem da graça e não possuidores da mesma graça de Deus em nós, como no-lo recorda Paulo ao dizer que: “Trazemos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que se veja que este extraordinário poder é de Deus e não é nosso. (...) Estando ainda vivos, estamos continuamente expostos à morte por causa de Jesus, para que a vida de Jesus seja manifesta também na nossa carne mortal.” (2 Cor 4, 7-11)
Mais uma vez vemos como o risco da nossa existência se torna oferta na confiança. Arriscar a vida pela causa do Evangelho implica da nossa parte confiar plenamente que Cristo está presente e nos resgata do mal com a Sua ressurreição. Assim, o acto de confiar torna-se um caminho oblativo para todo o cristão.
Se a confiança em Cristo estiver sempre presente em cada um de nós, então o imperativo do anúncio não traz consigo medo ou perturbação. A pedagogia Paulina do testemunho da causa do Evangelho gera-se na certeza de que toda a sua acção é acção que Deus resliza nele através do Espírito Santo. Por isso, quando Paulo visita a Grécia em busca da melhor forma de anunciar a Boa-Nova do reino, toma como referência o altar que encontrou ao deus desconhecido e assim inicia a sua catequese junto dos Atenienses: “Percorrendo a vossa cidade e examinando os vossos monumentos sagrados, até encontrei um altar com esta inscrição: ‘Ao Deus desconhecido.’ Pois bem! Aquele que venerais sem o conhecer é esse que eu vos anuncio.” (Act 17, 23)
Paulo não teme a reacção dos Atenienses, corre o risco de poder ser mal tratado como em outras cidades e povos contudo, pegando em algo que já era uma realidade, a fé num deus desconhecido, Paulo inicia uma nova era na relação desta gente com o Sagrado e leva à Fé no Deus único. Não parte da negação do culto existente, não vai contra os altares que ali encontrára mas aproveita o altar do deus que eles não conhecem para o identificar com o Deus de Jesus Cristo e assim, numa pedagogia da liberdade e da confiança apostólica, levar à adesão a este Deus e à fé revelada em Jesus.
03 Setembro 2008
Varatojo: "A arte é longa", resposta livre...
Continua a nossa reflexão com “a arte é longa” para nos reportar ao dado histório da nossa existência e o que fazemos com ela. Hipócrates continua a ser o mote: “a arte é longa”A vida tem sempre o passado, o presente e o futuro. No dizer de Santo Agostinho, ao passado se associam as nossas fixações, ao presente os nossos apegos e ao futuro as nossas projecções.
Toda a nossa reflexão estará agora à volta deste pensamento e como o devemos olhar na nossa realudade vital e humana.
A ALMA humana deve ter sempre na sua realidade vital três aspectos:
- Memória presente do passado
- Intuição presente do presente
- Expectativa presente do futuro.
Estes três aspectos exigem a cada pessoa uma fidelidade a si mesma e ao mesmo tempo uma consciência de se tornar naquilo que ainda se não é, ou seja, olhar o mundo e o futuro com uma permanente abertura ao novo da sua história humana. Podemos chamar a isto um processo de amadurecimento ou maturação humana.
Como todos os processos pelos quais passamos, este, traz consigo algumas rupturas que podem coarctar e romper com o equilíbrio da nossa maturação. Muitas vezes tornamos-nos vítimas de nós mesmos: vítimas das nossas fixações no passado, vítimas dos nossos apegos no presente e vítimas das nossas projecções futuras.
Vítimas das nossas fixações no passado quando as carregamos no nosso “eu” muitas memórias menos simpáticas como traumas, frustrações, medos, etc...
Neste âmbito quase sempre imputamos ao outro a culpabilidade pela nossa memória negativa do passado, nós dificilmente imputamos a nós mesmos a culpabilidade, ou parte dela, a estas fixações menos boas. À nossa volta encontramos frequentemente o “bode expiatório” ou alguém com “costas largas” sobre quem despejar a culpa de todos os nossos males passados e que permanecem na nossa existência. Desta forma jamais colocaremos a nós mesmos a questão sobre a nossa responsabilização já que foi outro, ou outrém, o causador de tudo. Facilmente referimos que não fomos nós que escolhemos nascer, não fomos nós que escolhemos isto ou aquilo, foram os outros que...
Neste sentido urge integrar a nossa história e a nossa memória dentro do nosso correcto processo de maturação, mesmo que quisessemos apagar de vez, coisas passadas, da nossa memória tal seria impossível porque não somos máquinas ou seres sem sentimentos. Então, o importante não é deixar-nos vitimizar por estas fixações passadas mas integrá-las de forma a que possam desvanecer-se no que de bom tem o presente.
Mas face a este presente corre-se muitas vezes um outro processo de vitimização: a dos apegos do tempo presente.
Esta vitimização dos apegos não é mais do que uma alienação face à história e indiferença face ao futuro: “quero lá saber”, “corra o mar para onde correr”, “Deus dirá o amanhã”...
Esta é a atitude de quem está totalmente apegado ao aqui e agora, apenas ao viver hoje, como forma de garantir quer se esgota tudo o que é possível no momento presente. É o querer viver o que tenho agora como certeza e assegurar o presente esquecendo o passado e não olhar para o futuro. É como que jogar com a vida, curtir simplesmente o momento e nada mais. Se estivermos atentos às nossas crianças e adolescentes, é isto mesmo que começam a viver já que toda a cultura com que se deparam no seu ambiente leva a esta mentalidade, curtir e gastar o momento presente porque amanhã logo se vê.
Aqui podemos por em paralelo a nossa atitude interior face a muitas coisas, ou seja, é bem diferente dizer que já só falta uma semana para começar a trabalhar de ainda tenho uma semana para descansar e recuperar força e vigor físico.
Fugir a este tipo de vitimização implica olhar o futuro com positivismo vivendo o presente com esperança. Ora esta é então uma atitude de confiança à acção do Espírito Santo em nós.
Não nos abrirmos a esta confiança na acção de Deus em nós leva então a uma terceira vitimização: a das projecções futuras.
Aqui perdemos completamente de vista o tempo presente para olhar apenas para o futuro. Esta projecção condiciona o momento presente e toda a nossa história. Perdemos assim o desafio do hoje, do agora face à criação de espectativas que podem sair frustradas e que terão como consequência o desânimo, a tristeza, o cruzar os braços, o não vale a pena lutar por...
Nunca nos sentimos, assim, bem onde estamos, só queremos estar onde não estamos.
No nosso presente, e para fugir a uma tal vitimização, é preciso investir face ao futuro, criara bases sólidas para o desafio que se nos apresentará no amanhã. Colocar o nosso futuro, e por conseguinte a nossa vida, na esperança em Deus é colocarmos o que somos e temos num caminho constante que nos leva a um dia melhor.
Para tal urge uma vigilância crítica do presente que leva à lucidez de integrar o passado e projectar o futuro com a novidade que a liberdade dos filhos de Deus permite. Neste sentido jamais podemos domesticar a nossa história ou corremos o risco de ser vítimas permanentes da mesma.
Voltamos a recordar os trâs aspectos de St. Agostinho acerca da realidade da alma:
- Memória presente do passado
- Intuição presente do presente
- Expectativa presente do futuro.
A unidade entre estes três aspectos impede-me de me entregar somente ao passado e ao mesmo tempo ao futuro sem mais, indefezo. Esta unidade leva a uma maior maturidade de vida e de fé que implica uma identidade da alma espiritual que se abre despojadamente ao projecto de Deus, identidade essa que não é estática mas dinâmica.
Neste sentido eu não sou um mero espectador, receptor passivo de acontecimentos históricos. Sou responsável por dar uma resposta fiel a mim mesmo e por mim mesmo e não pelo que os outros dizem acerca de mim. Como exemplo disso temos a resposta dada pelos Samaritanos à mulher que falara com Jesus: «Já não é pelas tuas palavras que acreditamos; nós próprios ouvimos e sabemos que Ele (Jesus) é verdadeiramente o Salvador do mundo.» (Jo 4, 42)
Temos em nós e na nossa razão crítica uma capacidade criadora, selectiva de valores, projectos e caminhos que levam à liberdade interior, não pelo que os outros dizem de nós mas pelo que nós temos consciência que somos e fazemos.
Este caminho não pode ser estático, pois não seria caminho, é dinâmico na medida em que temos sempre presente esta acção de Deus em nós e por nós. Como dizia Cervantes, “não existe caminho, este faz-se ao caminhar...”.
A nossa vocação não é um segundo elemento da nossa existência, é substancial a ela e acolhemo-la incondicionalmente tal como fizemos com a vida. Não escolhemos nascer, não nos vocacionamos a nós próprios. Nesta perspectiva, a nossa vocação humana, é algo inerente à nossa vida. Criados que fomos, fomos também chamados a um agradecimento incondicional ao Pai, numa perspectiva do passado, e um desafio de fidelidade ao futuro pedido por Deus. É por isso que podemos afimar com Hipócrates que “a arte é longa”.
Prometer fidelidade à proposta de Deus (fazer um voto) não é garantia dessa mesma fidelidade já que esta só se poderá afirmar após a nossa morte e olhando o nosso passado. O que fica garantido é a promessa de tudo fazer para ser fiel, mas esta é uma realidade permanente e ainda não consumada.
No Matrimónio, como na Vida Religiosa, dá-se o mesmo processo desta realidade. Não basta dizer “eis-me aqui, faça-se”, nas medida em que isto pode parecer uma mera obediência por medo e não uma manisfestação de maturidade humana e de liberdade interior.
Dizer “eis-me” implica sentir a alegria de dar uma resposta concreta à expressão igualmente concreta do que somos enquanto homens e mulheres livres e conscientes da resposta a dar: a minha resposta livre ao Deus que me chama à liberdade. Diz e muito bem o povo que “ um santo triste é um triste santo”. Deus quer-nos livres e felizes para responder com amor e alegria criando assim na nossa vida a arte que perdura quando se sente o gozo e a alegria de viver e construir com Deus o caminho.
02 Setembro 2008
Varatojo: "A vida é curta..." - Chronos e do Káiros
Voltando à espressão de Hipócrates “A vida é curta”, reflectimos sobre o tempo enquanto Chronos e Kairos.
“Oração de Moisés, o homem de Deus.
Senhor, Tu foste o nosso refúgio de geração em geração. (...) desde sempre e para sempre Tu és Deus.
Tu podes reduzir o homem ao pó, dizendo apenas: «Voltai ao pó, seres humanos!»
Mil anos, diante de ti, são como o dia de ontem, que passou, ou como uma vigília da noite. (...) Ensina-nos a contar assim os nossos dias, para podermos chegar ao coração da sabedoria. (...) Confirma em nosso favor a obra das nossas mãos; faz prosperar a obra das nossas mãos.” (Sl 90, 3+)
Diante deste texto parece-nos sentir brotar do coração de Moisés não a expressão do seu sentir face à sua vida mas também à de todos nós e de todos os tempos.
O tempo é o lugar do encontro permanente e dinâmico com o Deus da nossa história humana que é também história de Salvação.
O tempo de Deus aparece aqui muito distinto do tempo do Homem. Não se trata de um tempo cronológico, o tempo da nossa existência fisica e biológica, mas de um tempo Kairológico, tempo da intervenção na história humana para salvar.
Olhar o tempo e a história como Moisés o manifesta ao dirigir-se ao Senhor exige de nós a lucidez e maturidade para aceitar o tempo da nossa história como consciência de uma história vivida e assumida. Esta não tem forsosamente que ser um fardo pesado do passado mas uma realidade assumida e vivida como caminho para a “Parusia”, a manifestação última de Deus.
Por isso Moisés exclama: “Ensina-nos a contar assim os nossos dias, para podermos chegar ao coração da sabedoria”, e leva-nos a nós a colocarmo-nos diante do coração do Deus de Jesus Cristo que nos redime pela Sua infinita misericórdia na entrega gratificante de Seu Filho. O tempo, com os seus limites e fraquezas não pode fazer com que o cristão fuja dessa realidade de caminho para o coração de Deus. Cristo consuma na Sua história humana a grandeza do “sem limite” assumindo em definitivo a missão que lhe é dada pelo Pai de, no meio da dor, salvar toda a Humanidade: «Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!» (Mt 26, 42). Desta forma Cristo consuma a Sua perfeição e abre caminho para que possamos nós também consumar a nossa. Ele ajuda-nos na medida em que consegue permanecer no desafio de vencer a prova da vida de que nos fala o Apóstoloa Paulo ao dizer que: “Nos dias da sua vida terrena, apresentou orações e súplicas àquele que o podia salvar da morte, com grande clamor e lágrimas, e foi atendido por causa da sua piedade. Apesar de ser Filho de Deus, aprendeu a obediência por aquilo que sofreu e, tornado perfeito, tornou-se para todos os que lhe obedecem fonte de salvação eterna...” (Heb 5, 7-9)
Cristo experimentou também o sofrimento humano e isto leva à credibilidade diante dos nossos olhos. Este sofrimento que atinge o âmago da nossa fé em Cristo e na Sua acção redentora, é como que a prova de que Ele afinal quer salvar passando pela prova de fogo a que o ser humano está sugeito na sua condição mortal. Desta forma, Paulo, convida-nos a colocar o nosso olhar em Jesus na medida em que Ele deu testemunho de redenção com a própria vida. Cristo estabelece, assim, como que um novo tipo de fidelidade com orações e súplicas e é atendido por causa da Sua piedade. Continuará o texto de Paulo a referir que Cristo recebe a proclamação sacerdotal.
Em Cristo o Homem todo ganha uma nova dignidade diante do grande mistério Pascal. A morte não é assim um momento de derrota mas de vitória para aqueles que creem em Cristo. Neste aspecto é bom recordar aqui S. Francisco de Assis na sua quinta exortação quendo diz: “Ó homem, considera a quanta grandeza o Senhor te levantou, pois te criou, dando-te um corpo à imagem do seu Filho dilecto, e dando-te um espírito à sua própria semelhança (Gn 1, 26). E, no entanto, todas as criaturas que há debaixo dos céus, cada uma delas, a seu modo, serve e reconhece e obedece ao seu Criador, bem melhor que tu o fazes. (...) podemos, sim gloriar-nos nas nossas fraquezas (2Cor 12, 15) e no carregar às costas, cada dia, com a cruz de Nosso Senhor Jesus cristo (Lc 14, 27).” (Exortação 5)
Voltando ao início das nossas reflexões, e à frase de Hipócrates, a vida cronológica de Francisco, tal qual a de Cristo, foi curta mas a vida da sua kairologia continua a alongar-se em cada dia, e já lá vão oito séculos de mensagem franciscana, onde a mensagem de Cristo está sempre bem patente e actuante em cada um de nós.
Assim a vida é vista como a arte que perdura na história e ninguém como Francisco a soube viver em beleza diante de Deus. O magnífico Cântico da Criaturas, ou do Irmão Sol, são o mais perfeito reflexo desta arte vivida e perpectuada por Francisco de Assis, no seguimento de Cristo.
01 Setembro 2008
Varatojo: Acolhimento e presença de Deus
Depois de um tempo de férias, e delas tanto poderia partilhar, do ser Marta e Maria, do acolhimento na AMIZADE, na disponibilidade da ajuda desinteressada ao outro, da oração e lazer, da lágrima e do riso... dizia eu que depois deste tempo, um novo tempo chega, o de parar para o encontro com Deus, em retiro no magnífico Convento de Varatojo, para voltar à acção e Missão que Ele continua a pedir para cada momento.Parar leva mais uma vez à partilha simples e humana do que Deus vai proporcionando a cada dia, com a ajuda do orientador e da partilha fraterna, alicerçada sempre na oração.
Uma frase permanece na nossa reflexão e que se irá revelando a cada momento: “A vida é curta e a arte é longa” (Hipócrates)
O ponto de partida que me acolheu neste retiro é o texto de Elias no Monte Horeb:
“Tendo chegado ao Horeb, Elias passou a noite numa caverna, onde lhe foi dirigida a palavra do Senhor: «Que fazes aí, Elias?» Ele respondeu: «Estou a arder de zelo pelo Senhor, o Deus do universo, (...)» O Senhor disse-lhe então: «Sai e mantém-te neste monte, na presença do Senhor; eis que o Senhor vai passar.» Nesse momento, passou diante do Senhor um vento impetuoso e violento, que fendia as montanhas e quebrava os rochedos diante do Senhor; mas o Senhor não se encontrava no vento. Depois do vento, tremeu a terra. Passou o tremor de terra e ateou-se um fogo; mas nem no fogo se encontrava o Senhor. Depois do fogo, ouviu-se o murmúrio de uma brisa suave. Ao ouvi-lo, Elias cobriu o rosto com um manto, saiu e pôs-se à entrada da caverna.» (1 Rs 19, 9. 11-13)
Este é, sem dúvida, um texto que nos remete para a presença de Deus na nossa existência, mais ainda, para a presença de Deus que não quer passar por nós sem que O acolhamos quase diria olhos nos olhos para sentirmos que estamos de pé numa atitude de acolhimento e confiança n’ Aquele que quer ficar em nossa casa.
É na noite escura da caverna, no medo dos que trairam a Aliança com Deus e que querem matar o Profeta, que Deus visista e fala. O medo, desânimo, falta de esperança leva-nos muitas vezes a esconder o rosto e silenciar as palavras. Foi assim com Elias e é assim connosco. Mas aí está Deus atento à nossa súplica silenciosa e à capacidade que temos de continuar a profetizar em Seu Nome.
Somos como Elias, tantas vezes fechados em nós mesmos e com medos do que nos rodeia. É a nossa história que está ali presente na história humana do Profeta.
E Deus também a nós nos pergunta o que fazemos escondidos de nós, dos outros e até mesmo d’ Ele. O nosso medo não limita o querer de Deus e não impede que Ele continue a desafiar-os antes de mais para nos levantarmos e nos colocarmos na Sua presença.
Como Elias somos desafiados a sair da nossa caverna, da nossa noite escura, para nos abrirmos à graciosa manifestação de Deus. Sair da caverna é sair do recôndito da nossa auto-suficiência que deu lugar ao desânimo, ao abatimento, à frustração e ao medo.
Sair é a atitude de quem respira fundo e retoma a confiança em quem se nos manifesta e partilha amor connosco.
A manifestação de Deus a Elias leva-o a permanecer no firme querer de Deus e a cobrir o rosto porque Deus não se podia olhar. Mas volto a dizer que para Elias certamente o olhar Deus não era expressão física mas espiritual, o olhar de quem escuta e responde amorosa e livremente. Cobrir o rosto é aqui sinal de humildade diante da grandeza de Deus, é como que silenciar todos os sentidos que possam perturbar a presença do Pai. Cobrir o rosto é ir mais longe do que cobrir uma parte do corpo, trata-se de cobrir o intelecto para que a procura da racionalização, desta manifestação Divina, não faça afastar mais do querer e da presença de Deus. A minha inteligência não pode coarctar a acção divina em mim e por mim, não pode ser travão à minha resposta a Deus. Isto implica da minha parte uma atitude positiva face ao escuro da caverna (VIDA), implica o entrar, escutar a voz na escuridão, levantar e sair para a Luz, implica uma atitude de despojamento pessoal.
Como Elias, somos chamados a fazer esta experiência de Deus que começa por ser um desafio ao acolhimento: “levanta-te e permanece na minha presença”, à comunicação entre Deus e o Homem e por isso mesmo à íntima comunhão. A entrada da caverna, como a porta da nossa casa, é o lugar do acolhimento. Às escuras não podemos ver quem está a bater e a chamar, é preciso sair do nosso eu “escuro” para olhar e acolher quem bate e chama.
Deus não está no escuro da vida, não como nós pensamos muitas vezes, mas também não está nas manifestações do tempo como se pensava então. Deus está no novo de cada dia, nas coisas simples e não tempestuosas, Deus está na brisa suave da manhã.
Esta reflexão leva-nos a pensar no murmúrio dos nossos dias, nas inquietações e medos que tantas vezes nos remetem para a caverna e para a falta da presença de Deus. Remete-nos também para a experiência desta manifestação Divina, experiência da acalmia de Deus na medida em que somos capazes de silenciar as nossas razões e questões para no silêncio ouvir o querer de Deus que fala.
Hoje a serenidade da presença de Cristo em nós, que nos revela a presença do Deus de Elias, faz de Varatojo o lugar do acolhimento e da presença de Deus.
28 Agosto 2008
Mónica e Agostinho: Santos da Fé.
Depois de termos celebrado ontem a Memória de Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, a Igreja apresenta-nos hoje este filho a quem a oração persistente e confiante da mãe cortou a rebeldia.
"Mariana"
26 Agosto 2008
Senhora e Rainha, Maria...
Paz e bem e continuação de boas férias para todos.O calor da Cova da Beira, nestas faldas da Serra da Gardunha e com o olhar na Serra da Estrela, permitiu hoje ter acesso à net - já que por estas paragens as operadoras de telecomunicações móveis não investem no sinal - e por isso aqui estou a actualizar o "Retalhos, para mim e para todos vós que fazeis parte deste espaço.
Recebi esta partilha em "comentários" e, embora já tenham passado o dia, enriqueci-me nesta noite com este "Retalho" que Xana nos envia.
Assim, e porque falar de Maria como modelo de Fé nunca é demais, aqui fica publicado em promeira linha para gaudium de Deus e nosso.
Abraço a todos...
"MARIA, modelo de Fé, vai à minha, à nossa frente, «Rainha – Mãe»,
Mãe de Jesus que a Ela nos confiou como também nossa Mãe…
Gosto muito dela, como se ama muito uma Mãe…
Ela também gosta de mim, de nós, como a mãe que gosta e ama os filhos. Ela é nossa intercessora e medianeira de todas as graças. Por Ela a Jesus!
Fé no Filho, devoção à Mãe…Festejamo-la com todos os títulos de Amor que a devoção da Igreja lhe foi conferindo:
Os títulos das invocações da Ladainha de Nossa Senhora, e tantos outros mais: Mãe de Deus, porta do Céu, auxílio dos cristãos, Rainha de todos os Santos, saúde dos doentes, refugio dos pecadores, …
Maria é a expressão da nossa esperança, baseada na Fé que vivemos com o Senhor, como criaturas de corpo e alma…
Maria, do Evangelho está muito próxima de nós, percorreu um caminho de fé às vezes obscuro e cansativo, não entendeu tudo, não entendeu imediatamente…
O desígnio de Deus sobre Ela e sobre o seu Filho permaneceu, também para ela misterioso e velado até ao momento em que chegou a luz da Páscoa…Por isso hoje celebramos a festa daquela que nunca foi derrotada pela morte…
Como o seu Filho, Maria não procurou fugir à condição humana, não pediu a Deus descontos, privilégios, milagres…
Ela olhou com os olhos de Deus para a realidade deste mundo e transformou cada situação de morte numa oportunidade de crescimento e de maturação no AMOR, …até ao dia em que foi transferida para o Mundo Novo no qual seu Filho foi o primeiro a entrar…
Grandes coisas fez nela o Senhor da Vida…O mundo é um campo de batalha em que se enfrentam as forças da Vida e da morte.
É fácil verificar que em muitos casos, as últimas levam a melhor: os ódios, a solidão, o abandono, as traições, as injustiças sociais e económicas, o medo, as doenças são todos pontos a favor da morte.
Mas há um momento em que a morte se manifesta em todo o se enorme poder: quando põe fim aos nossos dias sobre a terra.
E Deus que nos criou para a Vida o que Faz?
Assiste impassível à nossa derrota?
A resposta a esta interrogação angustiante é dada hoje em Maria, a Mulher na qual a Vida celebra o seu triunfo….
Também o Canto que Lucas pôs na boca de Maria é um hino de graças ao Senhor pelas maravilhas de vida que Ele operou:
Tornou fecundo o ventre de uma Virgem e escancarou todos os sepulcros, os de Cristo e de Maria e também os nossos…
PAZ e BEM e continuação de boas férias!
Xana
17 Agosto 2008
Tempo de férias
Os discípulos colocaram a Jesus o problema do stress e do descanso.Os discípulos regressavam da primeira missão, muito entusiasmados com a experiência e com os resultados obtidos. Não paravam de falar sobre os êxitos conseguidos. Com efeito, o movimento era tanto que nem tinham tempo para comer, com muitas pessoas à sua volta.Talvez esperassem ouvir algum elogio por tanto zelo apostólico. Mas Jesus, em vez disso, convida-os a um lugar deserto, para estarem a sós e descansarem um pouco.
Creio que nos faz bem observar neste acontecimento a humanidade de Jesus. A sua acção não dizia só palavras de grandeza sublime, nem se afadigava ininterruptamente por atender todos os que vinham ao seu encontro. Consigo imaginar o seu rosto ao pronunciar estas palavras. Enquanto os apóstolos se esforçavam cheios de coragem e importância que até se esqueciam de comer, Jesus tira-os das nuvens. Venham descansar!Sente-se um humor silencioso, uma ironia amigável, com que Jesus os traz para terra firme. Justamente nesta humanidade de Jesus torna-se visível a divindade, torna-se perceptível como Deus é.A agitação de qualquer espécie, mesmo a agitação religiosa não condiz com a visão do homem do Novo Testamento. Sempre que pensamos que somos insubstituíveis; sempre que pensamos que o mundo e a Igreja dependem do nosso fazer, sobrestimamo- nos.Ser capaz de parar é um acto de autêntica humildade e de honradez criativa; reconhecer os nossos limites; dar espaço para respirar e para descansar como é próprio da criatura humana.
Não desejo tecer louvores à preguiça, mas contribuir para a revisão do catálogo de virtudes, tal como se desenvolveu no mundo ocidental, onde trabalhar parece ser a única atitude digna. Olhar, contemplar, o recolhimento, o silêncio parecem inadmissíveis, ou pelo menos precisam de uma explicação. Assim se atrofiam algumas faculdades essenciais do ser humano.
O nosso frenesim à volta dos tempos livres, mostra que é assim. Muitas vezes isso significa apenas uma mudança de palco. Muitos não se sentiriam bem se não se envolvessem de novo num ambiente massificado e agitado, do qual, supostamente, desejavam fugir.Seria bom para nós, que continuamente vivemos num mundo artificial fabricado por nós, deixar tudo isso e procurarmos o contacto com a natureza em estado puro.
Desejaria mencionar um pequeno acontecimento que João Paulo II contou durante o retiro que pregou para Paulo VI, quando ainda era Cardeal. Falou duma conversa que teve com um cientista, um extraordinário investigador e um excelente homem, que lhe dizia: "Do ponto de vista da ciência, sou um ateu...". Mas o mesmo homem escrevia-lhe depois: "Cada vez que me encontro com a majestade da natureza, com as montanhas, sinto que Ele existe".
Voltamos a afirmar que no mundo artificial fabricado por nós, Deus não aparece. Por isso, temos necessidade de sair da nossa agitação e procurar o ar da criação, para O podermos contactar e nos encontrarmos a nós mesmos.
(*) Card. J. Ratzinger "Esplendor da Glória de Deus" Editorial F., 2007, pág. 161..
15 Agosto 2008
Assunção de Maria
O dogma da Assunção da Mãe de Deus defende que, ao cabo de sua vida terrena foi elevada em corpo e alma à glória celestial.Este dogma foi proclamado pelo Papa Pio XII, no dia 1 de novembro de 1950, na Constituição Munificentissimus Deus:
"Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus omnipotente, que outorgou à Virgem Maria a sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu".
Porque será tão importante para os católicos recordarmos e aprofundarmos o Dogma da Assução da Santíssima Virgem Maria ao Céu?
O Novo Catecismo da Igreja Católica responde à esta interrogação:
"A Assunção da Santíssima Virgem constitui uma participação singular na Ressurreição do seu Filho e uma antecipação da Ressurreição dos demais cristãos"(966).
A importância da Assunção para nós, homens e mulheres do começo do Terceiro Milénio da Era Cristã, radica na relação que existe entre a Ressurreição de Cristo e nossa. A presença de Maria, mulher da nossa raça, ser humano como nós, quem se encontra em corpo e alma já glorificada no Céu, é isso: uma antecipação da nossa própria ressurreição.
Mais ainda, a Assunção de Maria em corpo e alma ao céu é um dogma da nossa fé católica, expressamente definido pelo Papa Pio XII pronunciando-se "ex-cathedra". E... Que é um Dogma?Posto nos termos mais simples, Dogma é uma verdade de Fé, revelada por Deus (na Sagrada Escritura ou contida na Tradição), e que também é proposta pela Igreja como realmente revelada por Deus.
Neste caso se diz que o Papa fala "ex-cathedra", quer dizer, que fala e determina algo em virtude da autoridade suprema que tem como Vigário de Cristo e Cabeça Visível da Igreja, Mestre Supremo da Fé, com intenção de propor um assunto como crença obrigatória dos fiéis católicos.
O Novo Catecismo da Igreja Católica (966) nos explica assim, citando a Lumen Gentiun 59, que à sua vez cita a Bula da Proclamação do dogma:
"Finalmente a Virgem Imaculada, preservada livre de toda macha de pecado original, terminado o curso da sua vida terrena foi levada à glória do Céu e elevada ao trobno do Senhor como Rainha do Universo, para ser conformada mais plenamente a Seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte".
E o Papa João Paulo II, em uma das suas catequeses sobre a Assunção, explica isto mesmo nos seguintes termos:
"O dogma da Assunção, afirma que o corpo de Maria foi glorificado depois de sua morte. Com efeito, enquanto para os demais homens a ressurreição dos corpos ocorrerá no fim do mundo, para Maria a glorificação do seu corpo se antecipou por singular previlégio" (JPII, 2- Julho-97).
"Contemplando o mistério da Assunção da Virgem, é possível compreender o plano da Providência Divina com respeito a humanidade: depois de Cristo, Verbo Encarnado, Maria foi a primeria criatura humana que realizou o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade prometida aos eleitos mediante a ressurreição dos corpos" (JPII, Audiência Geral do 9-julho-97). Continua o Papa: "Maria Santíssima nos mostra o destino final dos que 'escutam a Palavra de Deus e a cumprem' (Lc. 11,28). Nos estimula a elevar o nosso olhar às alturas onde se encontra Cristo, sentado à direita do Pai, e onde também está a humilde escrava de Nazaré, já na glória celestial" (JPII, 15-agosto-97).
Os homens e mulheres de hoje vivemos dependentes do enigma da morte. Ainda que o enfoquemos de diversas formas, segundo a cultura e crenças que tenhamos, por mais que o evadimos em nosso pensamento por mais que tratemos de prolongar por todos os meios ao nosso alcance nossos dias na terra, todos temos uma necessidade grande desta esperança certa de imortalidade contida na promessa de Cristo sobre nossa futura ressurreição.
Muito bem faria a muitos cristãos ouvir e ler mais sobre este mistério da Assunção de Maria, o qual nos diz respeito tão diretamente. Porque se chegou a difundir-se a crença no mito pagão da re-encarnação entre nós? Se pensamos bem, estas idéias estranhas à nossa fé cristã vieram metendo-se na medida em que deixamos de pensar, de pregar e de recordar os mistérios, que como o da Assunção, têm a ver com a outra vida, com a escatologia, com as realidades últimas do ser humano.
O mistério da Assunção da Santíssima Virgem Maria ao Céu nos convida a fazer uma pausa na agitada vida que levamos para refletir sobre o sentido da nossa vida aqui na terrra, sobre o nosso fim último: a Vida Eterna, junto com a Santíssima Trindade, a Santíssima Virgem Maria e os Anjos e Santos do Céu. O facto de saber que Maria já está no Céu gloriosa em corpo e alma, como nos foi prometido aos que fazermos a Vontade de Deus, renova-nos a esperança em nossa futura imortalidade e felicidade perfeita para sempre.
11 Agosto 2008
Plantazinha Clara
“Louvado sejas, meu Senhor, por me haverdes criado...”
Esta expressão brotou dos lábios e do coração de Santa Clara de Assis pouco antes da sua partida para o Pai.
Hoje voltamos a celebrar esta grande Mulher que, deixando as honrarias do mundo e os pergaminhos da nobreza, se apaixona por Jesus Cristo e se dispõe a segui-lO de uma forma radical ao jeito do Poverello de Assis.
Os sonhos da vida palaciana, de um casamento bem pensado – ao jeito da idade média – depressa passam ao lado das opções da jovem Clara.
Também ela vai buscar para si exemplos e modelos de vida, entrega e doação. Francisco de Assis e os seus companheiros estão presentes no seu pensamento e é com a sua ajuda que ela deixa a casa paterna dos Offreducio para, a meio da noite, e saindo pela chamada “porta do morto (por onde saíam os defuntos), se dirigir com a sua ama ao encontro de Francisco e dos seus irmãos.
É na Igrejinha de Santa Maria dos Anjos da Porciuncula que estes a esperam. A noite brilha com a luz dos archotes e alegra-se com o cantar dos freis. A noite escura torna-se agora mais clara porque é o lugar da Consagração da mulher mais “Clara que o dia”, da jovem esposa de cristo que quer ser também ela Menor entre os Irmãos Menores.
Cortado o cabelo (símbolo da Consagração), vestido o hábito de burel como o de Frei Francisco, e um véu na cabeça tornam-se o início de uma nova forma de Vida Consagrada, a Vida das Damas pobres de S. Damião, que mais tarde vêm a chamar-se, e até aos nossos dias, Irmãs Clarissas.
Clara deixa a Pociuncula e vai retirar-se para esta outra Capela e conventinho, o de S. Damião. Se a Porciuncula é o lugar da fundação da Ordem Franciscana, e todos os Movimentos que ao longo destes oito séculos seguiram e seguem Francisco e a Menoridade. S. Damião é o lugar do chamamento, da vocação e do encontro com o Cristo pobre e crucificado que teima em repetir a Francisco e Clara em cada dia “Vai e repara a minha Igreja que como vês ameaça ruir”.
Francisco e os seus irmãos entregam este lugar especial a Clara e às sua companheiras de vida e oração. Ali, Clara vive a Menoridade de uma forma muito especial, na entrega total a Cristo na oração contemplativa. Clara é o rosto feminino da Ordem Franciscana e aqui ela tem a missão de ser Mãe, Irmã e Mestra das jovens e mulheres que como ela querem seguir Cristo na radicalidade ao Evangelho. Sim, Francisco e a sua forma de ser e estar no mundo e na Igreja, é o modelo, o exemplo a seguir para não trilhar caminhos que afastem do espírito impelido por Cristo à vida de Francisco e seus irmãos.
A oração e contemplação não esquecem a esmola e o serviço aos outros. As irmãs, e Clara com elas, tal como os frades vão pelas ruas a pedir esmola porque a identificação com os pobres era apanágio desta entrega total a Cristo pobre. E são os pobres que tantas vezes acorrem à Irmã Clara pedindo ajuda nas suas dificuldades físicas ou no pedido de orações.
A “altíssima pobreza” torna-se para Clara “o privilégio da altíssima pobreza”. Olhar e viver o voto de pobreza como “um privilégio” é algo apenas para quem tem muito fortemente o Espírito do Senhor, mais, para quem vive nesta terra apenas em corpo porque tudo o demais da vida está sempre em Deus, Aquele a quem louva constantemente por a haver criado.
A pobreza é o nome que ela tanto quer para sua identificação: as senhoras pobres...
Ser pobre implica estender a mão, o olhar e o coração para alguém que pode ajudar, significa estar livre para acolher cada dia e cada momento da história como algo novo, novo amanhecer, novo encontro com Deus e com os irmãos. Clara, como Francisco, tem um grande sentido de pertença à fraternidade. Uma Ordem religiosa que não se sente mais que de Irmãos e Irmãs Menores numa Igreja onde as hierarquias eram tão assentuadas.
Clara não quer viver ao jeito das monjas beneditinas, quer ser Consagrada no recôndito do seu conventinho, mas ao jeito de Francisco. S. Damião torna-se então, no dizer de Francisco, o jardim mais belo plantado por Deus e onde o próprio Cristo o chama a ser Menor. Clara é, neste jardim, a plantazinha de Francisco.
O amor de Clara a Cristo, à Igreja e ao testemunho de vida de Francisco, levam-na a pedir incessantemente ao Papa que lhe aprove a Forma de Vida do privilégio da altísima pobreza, para ela e todas as que quisessem seguir o seu estilo de vida.
Este sentido de pertença e a teimosia da santidade que nela já habitava faz com que, já quase no seu leito de morte, o Papa aprove em definitivo esta norma de vida. Clara pode partir em paz porque viu aprovado, com os seus próprios olhos, o projecto que sentia ser o de Cristo para si. Ela é definitivamente o rosto feminino de Francisco, ela é a Mãe e Irmã de toda a Família Franciscana em todo o mundo e em todos os tempos.
Como refere o nosso Fr. Mário Silva em mensagem enviada: “Em Francisco e Clara encontramos o rio de Água viva = VIDA ABUNDANTE = onde toda a vida é mergulhada, transformada, vivificada, evangelizada e se torna evangelizadora.
Da Porciuncula a S. Damião e por fim à Basílica dedicada a si na cidade de Assis, erguida no local onde se situara a igreja de S. Jorge, onde ela ouviu Francisco pregar e onde esteve o corpo dele escondido até estar acabada a cripta do Sacro Convento.
Ali repousam os restos mortais da Irmã Clara, expostos à veneração dos fieis que de todo o mundo ali acorrem todos os dias em grande número. Nesta mesma Basílica se podem venerar a Cruz de S. Damião, que falou a S. Francisco, os cabelos e vestes de Clara e de Francisco, entre tantas outras relíquias.
Neste dia o nosso coração está em Assis...
Confiamo-nos à oração das Irmãs Clarissas em todo o mundo e imploramos a Deus que continue e conceder à Igreja mulheres como Clara que possam dar mais brilho e calor humano à nossa sociedade contemporânea e a esta Igreja que cada vez mais precisa de modelos a seguir.
Como Santa Clara de Assis dizemos: “Louvado sejas, meu Senhor, por me haverdes criado”.
(Veja também a publicação no “Retalhos” de 11/08/07 e ainda a Mensagem do Sup.Geral OFM às Irmãs Clarissas em www.ofm.org)
02 Agosto 2008
PERDÃO DE ASSIS
Certa noite do mês de Julho de 1216, como acontecia em tantas outras noites, na silenciosa solidão da pequena Igreja da Porciúncula, São Francisco ajoelhado, estava profundamente mergulhado nas suas orações, quando de súbito, uma luz vivíssima e fulgurante encheu todo o recinto e no meio dela, apareceu Jesus ao lado da Virgem Maria sorridente, sentados num trono e circundados por diversos Anjos. (Adaptação de vários textos retirados da net)
31 Julho 2008
Para ti, que amas...
Procurava eu textos de reflexão sobre a dimensão profunda do Amor que Deus tem por nós...
26 Julho 2008
Oração do pobre
O meu coração é pobre,
Sinto que sou barro;
sou como a argila abandonada
que espera as mãos do artista.
Põe as tuas mãos, Senhor,
Teu coração, na minha miséria,
e enche a minha vida
com a tua misericórdia.
Protege a minha vida.
Confio em ti.
Gostava de dizer-te o que és
para mim:
tu és o meu Deus, tu és o meu pai,
tu queres-me.
Eu chamo-te todos os dias.
Dá a alegria a quem
quer ser teu amigo.
Protege a minha vida. Confio em ti.
Eu sei que tu és bom
e me perdoas.
Sei que és misericordioso com quem abre o coração
ao teu amor e lealdade.
Escuta-me. Atende-me. Chamo-te.
Venho estar contigo
e quero ficar junto de ti.
Protege a minha vida. Confio em ti.
Tu és grande. Tu fazes maravilhas.
Tu, o único Deus.Ensina-me, Senhor, o teu caminho
e que te siga com os meus passos.
Protege a minha vida. Confio em ti.
Senhor, alegro-me, porque és um Deus compassivo.
Alegro-me porque és paciente.
Alegro-me porque és misericordioso e fiel.
Senhor, olha para mim.
Tem compaixão de mim.
Dá-me força.
Protege a minha vida. Confio em ti.
Tu, Senhor, sempre estás pronto a ajudar-me e a animar
o meu coração quando desanima.
Tu, Senhor, toma o meu coração de barro e trabalha-o segundo a grandeza da tua misericórdia.
Protege a minha vida. Confio em ti.
(Autor desconhecido)
17 Julho 2008
Amizade... também à mesa...
Nos últimos tempos tenho perguntado a mim mesmo o que escrever para o blog.
As visitas são muitas, sim, é um facto mas… a ausência de partilhas como em outros tempos deixa denotar que talvez o “Retalhos” esteja a envelhecer depressa.
Mas… hoje sinto um enorme desejo de retornar à génese deste blog: a AMIZADE…
Cada dia Deus nos presenteia com pequenos grandes sinais onde se reflecte o grande Dom da amizade, da alegria e da partilha…
Volto a Kahlil Gibran no livro tantas vezes aqui citado: “O Profeta” para saborear o que me vai na alma e digo mesmo, no coração.
“O teu amigo é os teus desejos cumpridos.É o teu campo, que semeais com amor e colheis com gratidão.É a tua mesa servida e o teu átrio.Apresenta-te a ele com a tua fome e nele procura a paz.” (K. Gibran)
Com esta frase e a foto que acompanha o texto, quero manifestar gratidão pelo cuidado de alguém, com menos de metade da minha idade, que teve a maturidade e delicadeza de preparar um prato para o AMIGO.
Não, não identificarei quem foi o exímio autor da minha refeição, bem preparada e como se vê bem apresentada. Saber quem não é o mais importante porque as coisas que se fazem com o coração não têm que estar reflectidas no toque dos sinos. São parte integrante da vivência humana pela qual todos nós passamos.
Creio que sem conhecer este autor de “O Profeta”, o “meu” cozinheiro e GRANDE AMIGO fez cumprir na sabedoria e maturidade da adolescência o sentir de K. Gibran: “E que o melhor que haja em ti seja para o teu amigo.
Perdoem-me se estou um pouco “lamechas” mas não me sinto em paz se não partilhar o sentimento e o quanto um simples prato na mesa significou para a minha pobreza humana que nem cozinhar sei…
Que o melhor de nós mesmos seja para o nosso amigo porque se não tivermos amigos que sejam AMIGOS nada somos…
Atrevo-me a dizer que chego a sentir "raiva" deste nosso mundo mesquinho que não pode ver ninguém feliz por ter na sua vida amigos verdadeiros em quem se possa confiar e com quem se possam partilhar o que de melhor temos em nós: a capacidade de nos dar-mos e acolher o dom dos outros. “Quando o teu amigo te diz o que pensa, não receies o “não” do teu espírito nem refreies o “sim”. E quando estiver silencioso, não deixes que o teu coração deixe de escutar o seu coração: Porque, na amizade, todas as ideias, todos os desejos e todas as esperanças nasceram e foram partilhadas sem palavras e com uma alegria inexprimível.” (K. G.)
O silêncio na amizade aparece-nos tantas vezes em forma de saudade, esta palavra tão grande na literatura portuguesa e que poucos povos como nós sabem expressar.
Alturas houve na minha vida em que sentir saudade de alguém era mau, era visto como sofrimento negativo e por isso era imperioso fugir da saudade. Não tem que ser assim!
Um convite para almoçar e um prato na mesa da AMIZADE mostra-me mais uma vez esta grande realidade que é olhar a montanha na certeza de que cada passo dado nos levará ao encontro da leveza do ser, na importância de tempo perdido mas que é tempo ganho, como diz Saint Exupery “foi o tempo que perdeste com a tua rosa que a tornou tão importante para ti” (…) “Porque é no orvalho das coisas pequenas que o coração encontra a sua manhã e se reanima.” (K. Gibran)
Que dizer a um AMIGO que se dedica assim, com maturidade, tempo e cuidado, a preparar um prato para o Amigo? Palavras sim mas… que palavras? Confesso que não sei… não tenho a sabedoria suficiente para ajuizar o que pode ser ou não palavra importante. Sim… já disse um obrigado e com muita sinceridade mas… nunca vos aconteceu sentir que não chega, que o coração gostaria de dizer mais e mais porque vive a alegria da partilha como o orvalho da manhã que refresca a vida?
Este blog nasceu sob os auspícios da AMIZADE e muito reflecte o que eu vivo e sinto acerca dos meus Amigos.
Para ti que… sim, hoje para ti… o meu mais que sincero OBRIGADO pela Amizade, alegria e confiança, pelo teu tempo e cuidado...
OBRIGADO!!!
12 Julho 2008
Sidney: JMJ
Aqui nos queremos unir ao Santo Padre e a todos os milhares de jovens que estes dias acorrem para celebrar a Fé com o seu Pastor.
Deixo clip de vídeo sobre as JMJ.
(desactivar música do blog para ouvir o clip)
07 Julho 2008
Somos a Tua IGREJA, Jesus...
04 Julho 2008
Agradecer... Vida... Amizade... Sacerdócio...
Recebi este texto há alguns dias, juntamente com a imagem que o ilustra mas, escolhi este dia para, de acordo com quem se digou enviá-lo o publicar.
Agradecer-te de peito aberto, pelo teu olhar cúmplice...
com gestos concretos,
Obrigada Albertino!"
03 Julho 2008
Tomé, Apóstolo
São Tomé foi um dos doze apóstolos de Jesus.
29 Junho 2008
Pedro e Paulo Apóstolos
Pedro e Paulo são testemunhas do Evangelho.
Pedro encontra-O pela primeira vez ao longo do lago da Galileia; no início sabe apenas que é um carpinteiro vindo de Nazaré, depois percebe que tem que ver um grande profeta. Por fim – como nos diz o Evangelho de hoje (Mt 16, 13-19) – em Cesareia de Filipe reconhece-O como «o Cristo, o Filho de Deus vivo». Lindas palavras as suas, mas na mente e no coração continua a cultivar os seus sonhos, não aqueles do Messias de Deus.
Jesus que chama-o «pedra da sua Igreja», mas que logo a seguir o define «pedra de escândalo» porque não pensa segundo Deus, mas segundo os homens…
Pedro não entende, entenderá em seguida, depois da Páscoa, o conteúdo da profissão de fé que o «Pai que está nos céus» o levou a pronunciar…
Paulo chega a Jesus por um caminho diferente… Conhece-O antes como um adversário a combater, como aquele que destrói as esperanças messiânicas do seu povo, como um blasfemo que anuncia a um Deus diferente daquele dos mestres de Israel. Um dia é investido por uma luz do alto e compreende: Jesus o Crucificado é o Messias de Deus. A partir daquele momento, o que antes era um tesouro, em confronto com Cristo, torna-se lixo (Fl 3,7-8)…
Celebrar S. Pedro e S. Paulo é celebrar a Igreja, fundada sobre o seu ministério, fecundada com o seu sangue. Foram nossos pais na Fé, que nos geraram para a vida nova. Pedro é a «Pedra» escolhida para fundamento visível da Igreja; Paulo é o «vaso de eleição» para levar a fé aos gentios.
Para a sua condição, Pedro trazia qualidade de chefe e um coração magnânimo. Aprendeu na própria fragilidade a lição do amor humilde e o serviço de mandar. Antes de ser investido como chefe da Igreja, foi examinado no amor…
E Paulo era perseguidor da Igreja. Derrubado no caminho de Damasco, transformou-se em fogo de Deus, luz de Cristo, «mais do que todos» no anúncio do Evangelho. Também ele mudou o nome, porque mudou de vida. De perseguidor, fez-se perseguido…
Coração de Paulo, coração de Cristo. «Agarrado» por ELE, tudo considera perda e lixo, comparado com o conhecimento, que dele tem. Não queria «saber mais nada senão Jesus Cristo Crucificado». «A minha vida é Cristo» (Fl 1,29).
Na solenidade de São Pedro e são Paulo nós cristãos, revivemos a graça do nosso Baptismo.
Acreditemos em Jesus, entendamos que ELE é, confiemos NELE sem dúvidas, coloquemo-nos nas Suas mãos e ELE cuidará de nós…
L. C.
24 Junho 2008
JOÃO, o Precursor
Hoje a Igreja celebra a Solenidade do nascimento de São João, o precursor, o Baptista.Cânticos e bailaricos, quadras e mangericos, alhos porros e martelinhos, fogo de artifício e tantas outras coisas pautam a noite e o dia deste Santo. Quantos páram um pouco para olhar alguns aspectos deste que foi chamado, desde o ventre, a anunciar a Luz?
Dele nos faz eco a palavra de Deus em Lucas ao dizer: “E tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo,porque irás à sua frente a preparar os seus caminhos para dar a conhecer ao seu povo a salvação pela remissão dos seus pecados” (Lc 1, 76-77)
João é predestinado para anunciar a vinda do Messias. O chamamento não é algo abstracto, é a alguém em concreto e a quem é dado um nome concreto: “pedindo uma placa, o pai (Zacarias) escreveu: «O seu nome é João.» (Lc 1, 63).
É impressionante como se rompe com a tradição de dar ao primogénito o nome do pai. O precursor não se chamará Zacarias mas “DOM DE DEUS”, João.
É DOM de Deus a Zacarias e Isabel, de avançada idade e estéreis. Esta esterelidade pode significar, para nós, o campo onde Deus tudo pode realizar. É onde a lógica humana nada parece poder fazer – dar Vida – que Deus actua com a Sua Graça.
Deus chama à vida aquele que já estava no Seu projecto de Amor, aquele que seria o anúncio da Luz, da Salvação eterna.
É o próprio que nos declara: “Quando ainda estava no ventre materno, o Senhor chamou-me, quando ainda estava no seio da minha mãe, pronunciou o meu nome" (Is 49, 1), e ainda: “Senhor declara-me que me formou desde o ventre materno, para ser o seu servo (…) Assim me honrou o Senhor. O meu Deus tornou-se a minha força. (Is 49, 5)
Deus chama João pelo nome, chamamento à mais nobre das missões proféticas: “Vou fazer de ti luz das nações, para que a minha salvação chegue até aos confins da terra." (Is 49, 6)
A palavra eloquente do profeta, a sua verdade que é a verdade de Deus, a sua forma de vida simples e austera, faziam com que muitos acreditassem e o confundissem com o Messias. S. João Baptista entrega-se à penitência e à reparação pelo seu povo, como os profetas. Como Jeremias, é santificado no seio de sua mãe. É o novo Elias, predito por Malaquias.Desde a sua infância entrega-se à penitência. «Não beberá nem vinho nem cidra», diz o anjo a Zacarias. Passa a sua adolescência no deserto, está vestido com uma túnica de peles de camelo apertada por um cinto de couro; come mel silvestre e gafanhotos.A sede de Salvação estava cada vez mais presente naquela gente e, para eles, João aparecia como o Salvador.
Mas… não podia a verdade de Deus, em João, permitir tal equívoco. Lucas, nos actos do Apóstolos recorda-nos que: “João preparou a sua vinda, anunciando um baptismo de penitência a todo o povo de Israel. Quase a terminar a sua carreira, João dizia: ‘Eu não sou quem julgais; mas vem, depois de mim, alguém cujas sandálias não sou digno de desatar” (Act 13, 24-25). João é a voz que clama no deserto, apela à conversão e penitência e aponta um novo caminho de Salvação: “Eu baptizo-vos em água, mas vai chegar alguém mais forte do que eu, a quem não sou digno de desatar a correia das sandálias. Ele há-de baptizar-vos no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16).
João não é a Luz, dá testemunho da Luz, “é necessário que eu diminua para que Ele cresça” chega a afirmar aos que o seguem. João aponta Aquele que de facto é a Salvação, a Luz eterna: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! É aquele de quem eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que me passou à frente, porque existia antes de mim.” (Lc 1, 19-29)
O testemunho de João inicia-se na sua consagração, no ventre materno: “Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. Então, erguendo a voz, exclamou: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor? Pois, logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino saltou de alegria no meu seio. Feliz de ti que acreditaste, porque se vai cumprir tudo o que te foi dito da parte do Senhor” (Lc 1, 41-45). Aqui mesmo João é abençoado e santificado pela presença de Jesus e a visita de Maria. Cristo consagra assim aquele que devia dar testemunho de Si.
Não chegariam linhas para escrever sobre este momento. Duas Mães, agraciadas com o DOM DE DEUS, mulheres que aceitam a Sua vontade e dois Filhos que se encontram.
A Senhora (Maria) saúda a serva (Isabel). Maria a “feliz porque acreditou”, Isabel a feliz porque aceitou por fim que Deus na sua esterilidade e avançada idade poderia gerar vida.
Jesus, com tão pouco tempo de vida no ventre de Sua Mãe, é já sinal exterior de Luz salvífica, é já Deus operante pelo Espírito Santo em João. Dois seres no ventre materno que se encontram e saúdam. Podemos dizer que este é o momento em que João inicia a sua missão de precursor, é ele mesmo que indica a sua mãe que ela está diante do Seu Senhor e Messias, bem como da sua Rainha e Senhora.
O eco da saudação mais não é que o início do anuncio público do Emanuel, Deus no meio dos Homens em forma humana.
Que encontro este, que feliz encontro que leva Maria a exclamar o lindo cântico do Magnificat (Lc 1, 46-56).
João tem a missão de baptizar o autor do Baptismo, não sabia ele a quanta dignidade, desde o ventre materno – Deus o havia chamado. Não é um profeta qualquer, é aquele que tem o conhecimento da antiga aliança e anuncia a nova Aliança. Diante de Jesus que vem ao seu encontro, para ser baptizado no Jordão, João exclama: “Eu é que tenho necessidade de ser baptizado por ti, e Tu vens a mim?” (Mt 3, 14). Leva-nos a memória a fazer uma analépse ao já referido encontro: “E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 41).
João tem a graça de baptizar o Messias, segundo a Lei, e de presenciar o Deus total, Pai, Filho e Espírito Santo em momento tão sublime da História da Salvação: “Uma vez baptizado, Jesus saiu da água e eis que se rasgaram os céus, e viu o Espírito de Deus descer como uma pomba e vir sobre Ele. E uma voz vinda do Céu dizia: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado.” (Mt 3, 16-17)
Mais tarde viria o precursor a proclamar: “Pois bem: eu vi e dou testemunho de que este é o Filho de Deus.” (Jo 1, 31-34)
Quem dá testemunho de Cristo, por Ele jamais será esquecido. João deu a vida – pelo martírio – no anúncio da Verdade, no apontar o Cordeiro, na vida de penitência e simplicidade. A sua vida levou a que o Messias dele dissesse: “Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Baptista; e, no entanto, o mais pequeno no Reino do Céu é maior do que ele.” (Mt 11, 11)
Ao celebrarmos hoje o nascimento de João, fica-nos também a certeza de que é grande o seu lugar no Reino dos eleitos de Deus, tão grande que na terra é o único Santo a merecer celebrar o dia do seu nascimemto – a par com Maria e Cristo – tão grande é a sua dignidade junto da Igreja que celebra a presença do Cordeiro apontado por João. Mas esta certeza ganha outro sentido com esta palavra de Jesus – em Mateus – que nos alegra por nos tornar dignos de ser maiores que João no Reino do céu. Não olhemos à grandeza ou pequenez d que temos e somos, tudo é dom de Deus e, por isso mesmo, confiemos que um dia participaremos da glória celeste onde João Baptista contempla Aquele que anunciou como a Luz que brilha nas trevas.
22 Junho 2008
O PODER DO SILÊNCIO...
Aprende com o silêncio a ouvir os sons interiores da tua alma.
Aprende com o silêncio a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora, evitar reclamações vazias e sem sentido...
Aprende com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido...
Aprende com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem companhias bem piores...
Aprende com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo,
Aprende com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar, como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo.
Aprende com o silêncio a respeitar a vida, valorizar o dia, descobrir as qualidades que possuis, equilibrar os defeitos que tens e sabes que precisas corrigir e ver aqueles que ainda não consegues ver.
Aprende com o silêncio a respeitar o teu "eu", a valorizar o ser humano que és, a respeitar o Templo que é o teu corpo, e o Santuário que é a tua vida.
Aprende hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir é melhor que falar muito...
Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso; por vezes, o silêncio é confundido com fraqueza, apatia ou indiferença.
Pensa-se que a pessoa portadora dessa virtude está impedida de reclamar os seus direitos e deve tolerar com passividade todos os abusos.
Acredita-se que o silêncio não combina com o poder, pois este é muitas vezes confundido com prepotência e violência.
O Sol nasce e põe-se em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a quebrar.
Acaricia as pétalas de uma rosa sem a ferir, e beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar; aí vamos encontrar na natureza lições preciosas a dizer-nos que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a quietude.
As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupenda velocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deram sinal da sua presença pelo mais leve ruído.
O oxigênio, poderoso elemento que nos mantém a vida, penetra nos nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo, e nem lhe notamos a presença.
A luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do universo, actuam com a suavidade de uma aparente ausência.
Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste em actos de violência física, quando um homem conquista o verdadeiro poder, toda a antiga violência acaba em benevolência.
A violência é sinal de fraqueza, a benevolência é indício de poder.
Os grandes mestres sabem ser severos e rigorosos sem renegarem a mais perfeita quietude e benevolência.
Deus, que é o supremo poder, age com tamanha quietude que a maioria dos homens nem percebem a Sua acção.
Essa poderosa força, na qual todos estamos mergulhados, mantém o Universo em movimento, faz pulsar o coração dos pássaros, dos bandidos e dos homens de bem, na mais perfeita leveza.
O verdadeiro poder chega: sem ruído, sem alarde e sem violência."
Bem aventurados os mansos, porque eles possuirão a Terra".
DESEJO UMA SEMANA DE PAZ E SILÊNCIO PARA TODOS.
(Adaptação de um texto em power point, do qual desconheço o autor.)
"Fiducia"
"No pps referido, eles fizeram uma colcha de retalhos, pegaram o meu texto Silêncio que vai até : Aprende hoje com o silêncio, que gritar não traz respeito, que ouvir é melhor que falar muito... e misturaram com outro texto... .que começa em Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso; por vezes, o silêncio é confundido com fraqueza, apatia ou indiferença.
O texto correto é de minha autoria Paulo Roberto Gaefke e você vê em:http://www.rivalcir.com.br/mensagens20012/1283.htmlhttp://www.idbrasil.org.br/drupal/?q=archive/2008/4/1http://www.pnet.pt/pnet/jornal.asp?cod_leitor=1203Paulo Roberto Gaefkewww.meuanjo.com.br "
19 Junho 2008
Portugal: O sonho continua...

Portugal perde frente à Alemanha (3-2) e abandona assim a competição Europeia...
A esperança marcou sempre, e continuará a marcar o sonho da Gente Lusa, esteja onde estiver.
Sair das luzes da ribalta futebolisticas tem neste momento um sabor um tanto o quanto amargo. Os sonhos que nos movem no dia-a-dia nunca queremos acordar deles porque a nossa realidade é, na maior parte das vezes, uma realidade que não tem o brilho de quem espero algo de novo e positivo para a sociedade hodierna.
Eu não percebo muito de futebol, é um facto, mas pus a bandeira na minha janela, cantei o hino nacional, vesti a tshirt da Selecção, cachecol e boné para sentir, ainda que durante alguns dias, a força que moveu o mundo.
Agora é hora de voltar à normalidade do dia-a-dia, a dura realidade de um país com tantos problemas mas onde se sente o acolhimento que só o nosso Povo sabe oferecer, na alegria, na simpatia e no hombridade que se vê no desportivismo.
Como dizia o poeta Antíno Gedeão:
"Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança."...
FORÇA PORTUGAL!!!
Em cada canto do mundo há uma Alma Lusa que canta a certeza de um amanhecer diferente porque o sonho jamais desaperecerá...
18 Junho 2008
O blog é de todos...
Nos meus trabalhos pastorais tenho estado com pouco tempo para partilhar aqui coisas minhas.
15 Junho 2008
A MISSÃO
Deus tem um Plano de Salvação para todos os homens.
Mas esse plano ele não o realiza sozinho. Ele conta com a participação de inúmeras pessoas que sempre chama e envia para essa MISSÃO...
As Leituras bíblicas nos falam dessa verdade...
Na 1.ª Leitura, Deus escolhe um Povo para si. (Ex 19,2-6a)
Escolhe o povo de Israel e lhe propõe uma ALIANÇA para ser portador das promessas messiânicas a todos os povos.
- No Monte Sinai, Deus fala a Moisés:
"Se escutardes a minha voz e fordes fiéis à minha aliança, sereis meu povo escolhido, um reino de sacerdotes, uma nação santa".
* Esse Povo será sinal de Deus no meio dos povos e figura do novo Povo de Deus, que será a Igreja...
Na 2.ª Leitura, vemos o Envio de Jesus Cristo como Salvador e cabeça do novo povo eleito, que é a Igreja. (Rm 5,6-11)
No Evangelho, temos a Missão dos Doze. (Mt 9,36-10,8)
O Texto inicia o "Sermão Apostólico" de Cristo (o 2º dos cinco, no evangelho de Mateus).
É um "Manual do missionário cristão", em que define os conteúdos do anúncio e as atitudes fundamentais do Missionário.
Compreende 3 passos:
1) Uma Introdução: Jesus vê a triste Realidade das multidões:
- "Estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor..."
- "A Messe é grande... e os operários são poucos..."
- Um apelo: "Rogai ao dono da Messe..."
Reflete a preocupação diante das necessidades pastorais, embora a iniciativa da Missão é do Pai.
2) O Chamamento e o Envio dos 12 Apóstolos:
- "Chamou-os": Os critérios da escolha é sempre um mistério, difícil de compreender e explicar.
- O número "12" recorda as 12 tribos de Israel e é símbolo da totalidade.
Todos somos chamados a libertar-se e enviados a libertar..
- Na "Missão", confere o poder de expulsar os demônios e curar os doentes: isto é, tudo o que destrói a VIDA e a felicidade do homem...
- Chama cada um pelo "Nome": Missão individual e comunitária.
3) Recomendações de Jesus para a Missão:
- Destinatários: Os judeus, herdeiros da Aliança, deveriam ser os primeiros:
"Ide às ovelhas perdidas da casa de Israel"
- Mensagem:
- O Anúncio missionário: "O Reino de Deus está próximo".
- Os Sinais da presença de Deus: "Curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios".
- Exigência de Gratuidade: "De graça recebestes, de graça deveis dar".
+ Que diria Jesus ao contemplar a Realidade de hoje?
Ainda hoje há multidões cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor.
Deus continua precisando de gente para continuar a sua obra de Libertação e Salvação.
* Os "doze" representam a totalidade do Povo de Deus.
- Temos consciência de que também nós somos enviados em missão?
+ Qual é a missão dos discípulos de Jesus?
É lutar contra tudo o que escraviza o homem e o impede de ser feliz.
- Hoje há estruturas que geram guerra, violência, terror, morte: a missão dos discípulos de Jesus é contestá-las e desmontá-las;
- Hoje há "valores" que geram escravidão, opressão, sofrimento: a missão dos discípulos de Jesus é recusá-los e denunciá-los;
- Hoje há esquemas de exploração que geram miséria, marginalização, exclusão: a missão dos discípulos de Jesus é combatê-los.
* A proposta libertadora de Jesus deve estar presente através dos discípulos em qualquer lugar onde houver um irmão vítima da escravidão e da injustiça.
- Procuramos nós transmitir alegria, coragem e esperança àqueles que vivem imersos no abatimento, na frustração, no desespero?
- Procuramos ser um sinal do amor e da ternura de Deus para aqueles que vivem sozinhos e marginalizados?O nosso serviço ao "Reino" é totalmente GRATUITO?
Ou serve para promover os nossos interesses, a nossa pessoa, os nossos esquemas de realização pessoal?
Ainda hoje há muitas ovelhas cansadas e abatidas sem pastor...
- Será que Cristo pode contar connosco?
Acolhamos o apelo do Mestre e roguemos ao dono da Messe para que mande muitos operários à sua vinha...
Pe. Antônio Geraldo Dalla Costa -15.06.2008
12 Junho 2008
Santo António de Lisboa
(Foto: Igreja/Casa (Santuário) onde nasceu Sto António em Lisboa)
07 Junho 2008
Misericórdia e Sacrifício
Hoje as leituras da Eucaristia apelam-nos à consciência de que para Deus o Amor e a misericórdia é mais importante que os meros ritualismos ou sacrifícios pelos sacrifícios.A Bíblia, concretamente na sua linha profética, verberou os sacrifícios. Oseias põe na boca de Deus estas palavras: "Eu quero a misericórdia e não os sacrifícios, o conhecimento de Deus mais do que os holocaustos." E Amós: "Eu conheço as vossas maldades e a enormidade dos vossos pecados. Sois opressores do justo, aceitais subornos e violais o direito dos pobres no tribunal. Eu detesto e rejeito as vossas festas. Se me ofereceis holocaustos, não os aceito nem ponho os meus olhos nos sacrifícios das vossas vítimas gordas. Antes, jorre a equidade como uma fonte, e a justiça como torrente que não seca." E o profeta Isaías escreve: "De que me serve a mim a multidão das vossas vítimas? - diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros, de gorduras de bezerros. Não me agrada o sangue de vitelos, de cordeiros nem de bodes. Quando me viestes prestar culto, quem reclamou de vós semelhantes dons, ao pisardes o meu santuário? Não me ofereçais mais dons inúteis. Cessai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem; procurai o que é justo, socorrei os oprimidos, fazei justiça aos órfãos, defendei as viúvas."
Jesus retomou a palavra profética de Oseias: "Ide aprender, diz o Senhor, o que significa: 'Prefiro a misericórdia ao sacrifício'" Ele enfrentou profeticamente a casta sacerdotal e expulsou os vendilhões do Templo, tendo sido este acontecimento determinante para a sua condenação à morte na cruz, na sequência de uma coligação internacional - Jerusalém e Roma -, com interesses sacerdotais, económicos e políticos ameaçados.
Afinal, um Deus que precisasse de sacrifícios era um Deus pior do que os seres humanos, quando vivem uma humanidade boa e feliz. Que pai ou mãe quer que os filhos andem de joelhos ou de rastos diante deles e lhes ofereçam sacrifícios?
O sofrimento pelo sofrimento é inútil e deve-se combatê-lo, bem como às religiões doloristas que pregam o sofrimento como agradável a Deus e a via mais directa para o céu. Deus não precisa nem quer sacrifícios. Deus, que é amor, quer amor e justiça para todos, dando preferência aos marginalizados e aos pobres. Mas cá está. A prática do amor e da justiça, a contribuição real para uma sociedade boa e justa e mais feliz implicam capacidade de sacrificar-se. Agora, porém, é diferente: não se trata do sacrifício pelo sacrifício, mas das melhores causas da vida, que inevitavelmente exigem renúncia, entrega, doação. Aqui, o sacrifício surge em toda a sua dignidade, dita já no étimo latino: sacrum facere - tornar sagrado. Não há amor nem obra grande nem salvaguarda da humanidade na sua dignidade, sem a disposição para sacrificar-se pelo melhor. Quem ousa então ir até ao fim, superando os obstáculos do egoísmo e da preguiça e da mesquinhez e da opressão e entregando-se à realização da humanidade de todos os homens, faz algo de sagrado, torna o mundo humano e sagrado.
Por exemplo, Sócrates podia, como lhe foi oferecido, ter feito um compromisso. Isso era, porém, contra a voz da consciência, e Sócrates não atraiçoou a sua mensagem e bebeu a cicuta.
Jesus não morreu para aplacar a ira divina ou porque Deus precisasse do sacrifício da sua morte. O sacrifício pelo sacrifício é detestável e a morte não salva ninguém. O que se passa é que também Jesus, em vez de fugir ou optar por compromissos, foi consequente com a sua mensagem e deu testemunho, até ao fim, até à morte, da verdade e do amor, do Deus que não quer sacrifícios, mas misericórdia, defesa dos direitos humanos, fraternidade, liberdade, amor entre todos.
Quando se fala de nova evangelização, é disto que se trata: acreditar, com todas as consequências, no Evangelho enquanto notícia boa do Deus que é amor e que não tolera vítimas. De facto, é em nome do Deus que quer vítimas que nós próprios, pela guerra, mediante a exploração omnímoda (ilimitada) e sem escrúpulos, continuamos a fazer vítimas. Deus, porém, o que quer é misericórdia. A paixão por Deus traduz-se por compaixão real e efectiva para com os homens e mulheres.
Também em Portugal as questões da justiça social têm de ser prioritárias..."
Dr. P. Anselmo Borges
05 Junho 2008
Dia mundial do AMBIENTE
Meu Deus, agradeço-te...
Meu Deus, agradeço-te por este dia.
Agradeço-te por seres capaz de ouvir esta minha oração…
Por me sentir abençoada por seres o meu Deus do perdão…
Aquele que tudo tem feito por mim e continua a abençoar-me a cada raiar do sol.
Perdoa-me mais uma vez pelo que tenha dito ou pensado e ajuda-me a começar este dia com uma nova atitude de gratidão plena:
Pela minha Família, pelos meus Amigos, pela Natureza que me rodeia…
Pelas árvores, pelas flores, pelas aves do Céu, pelos animais da Terra e do Mar…
Ajuda-me a fazer o melhor a cada e todo o dia para Te poder ouvir…
Para perceber a cada hora o que Tu queres que eu faça… para que entenda a minha Missão diária!
Não me deixes lamentar e queixar do que não posso controlar.
Pelo contrário: ajuda-me a rezar cada vez mais!
Ajuda-me a rezar pelos que sofrem no corpo a doença, na Alma a solidão, no pensamento a injustiça humana
Sem que minhas forças se acabem…
Continua a usar-me para a Tua obra.
Continua a manter-me forte para que possa continuar a ajudar quem precisa.
Mantém-me de pé para que possa encorajar os outros.
E continua a alimentar a minha Fé para que eu possa ser testemunha da Tua Mensagem aos Homens!
Ámen.
“Clara de Assis” (Pseudónimo)
03 Junho 2008
30 minutos: Três vidas...
Estreou esta noite, na RTP, um novo programa de seu nome “30 minutos”.A seguir ao Jornal da noite a Televisão pública brindou-nos com um programa que me mereceu toda a atenção.
Ao início eram, salvo erro, 14 histórias de mulheres e mães que haviam sido recebidas – convidadas – por Maria Cavaco Silva, a Primeira Dama do nosso país.
Da foto de grupo surgem, à vez, três mulheres e mães, uma de Lisboa, outra de Matosinhos e outra da zona de Ponta Delgada (Açores).
Cada uma destas mães teve na vida algo que não esperava, conceber um filho com doenças que jamais permitirão serem as mesmas mulheres, com os seus sonhos, alegrias e juventude.
“MULHERES CORAGEM”, assim lhes chamavam na reportagem.
Chegar ao fim destes trinta minutos e olhar para cada gesto e palavra da vida destas mães leva-me a dizer que são muito mais que “mulheres coragens”.
O seu sentido de maternidade e a sua dedicação aos filhos dependentes, quase na totalidade e em tudo, do apoio das mães, não fez com que tais mulheres perdessem o amor pelos filhos e ei-las a dar o testemunho tão grande de quem, perdeu muito de si, dos seus sonhos, do seu querer, mas não da sua dignidade humana: ser mulher e ser mãe que ama o filho que recebe, mesmo com todos os sacrifícios que isso implica no hoje de cada dia.
Uma delas, de Matosinhos, recebe em sua casa, já com dois filhos seus – biológicos – um bebé abandonado a quem não davam mais que um mês de vida e hoje já tem alguns anos.
Perdoem-me não ser preciso nas informações mas não contava escrever sobre esta reportagem e, por isso, tenho o que na memória me ficou já que o que senti e sinto de carinho, ternura e profundo respeito por todas as “mulheres/mães coragem não conseguirei jamais passar para este texto.
Perguntei a mim mesmo o que faria eu numa situação destas…
Antes as notícias davam conta do Euro 2008 e dos treinos, de Mourinho em Itália, da guerra dos combustíveis, dos deputados de esquerda em conflitos por apoio a comícios conjuntos, de campanhas que nunca mais acabam para a presidência dos USA, de tantas coisas que vemos quase já sem dar por elas, não fossem quase sempre as mesmas todos os dias…
Vimos meninos pródigos com 8 anos e que são barras na matemática, escolas que sendo das últimas nos rankings (será assim que se escreve?) nacionais mas que perante o Presidente da República revelam saber educar através dos novos meios de comunicação como a net, o hip hop e outro, vimos que a Comunidade Europeia reconhece o esforço de Portugal para cumprir compromissos económicos…
Mas… hoje a maior e mais bela notícia foi sem dúvida a de ver que a Televisão pública estreia um novo programa com a notícia de que ainda temos muitas “mulheres e mães coragem”. Parabéns RTP!
Se o programa em si já tinha sido, para mim, uma enorme lição de vida, testemunho de amor àqueles que fazem parte de nós ou que recebemos em nossa casa como nossos, mais se intensificou esta lição de vida quando cada uma destas três mulheres se revelam MULHERES DE FÉ.
“Tenho fé em Deus e é isto que dá sentido à minha vida”, dizia a mãe de Lisboa mais ou menos por estas palavras.
“Isto para mim é como um Sacerdócio, dediquei-me a esta causa como a Deus”, dizia a mãe em Matosinhos falando do bebé de etnia cigana que recebera após ter sido abandonada.
“Obrigado Espírito Santo pela força de viver”, rezava a mãe de joelhos numa Igreja no Açores com o olhar de quem fala ao Divino Espírito Santo com o coração.
Hoje o Evangelho recordava-nos o Sermão da montanha narrado em Mt. 5, 1-12a: as Bem-aventuranças…
Na homilia digo sempre que é tão difícil falar deste texto a quem está em sofrimento… e repeti-o hoje… mas estas mulheres e mães falaram mais alto que eu. Dizem que só em Deus encontram a coragem para continuar a amar e dedicar tudo o que são e têm a estes filhos portadores de doenças e deficiências profundas.
Nelas se vai cumprindo esta palavra de Mateus: “Bem-aventurados… alegrai-vos e exultai, porque é grande nos céus a vossa recompensa”.
Com este texto quero louvar a RTP por tão grande reportagem e por estrear em horário nobre um programa que, a avaliar pelo primeiro, poderá ser de uma enorme utilidade pública ao país e ao mundo.
Quero ainda, e sobretudo isso, prestar a minha homenagem a tantas mulheres/mães coragem que no seu dia-a-dia tanto abdicam para se dedicarem aos outros, seus familiares ou amigos sem esquecer – jamais – tantas que nem mães são biologicamente falando mas que até desse DOM abdicaram para partir e ajudar os que mais precisam, em creches, orfanatos, hospitais e clínicas, casas de saúde entre tantos outros…
OBRIGADO POR ESTE TESTEMUNHO DE VIDA!
Que Deus e Maria nossa Mãe a todas cumule de Suas bênçãos e a nós todos, sobretudo a quem tem o governo das Nações, nos ajude a não permanecer inertes e apáticos aos que mais precisam de ajuda, carinho e amor, “porque é dando que se recebe” dir-nos-ia S. Francisco de Assis.
01 Junho 2008
EURO 2008: vontade de vencer!
Portugal movido a vontade de vencerOuvindo falar sempre de futebol, confesso que esse nunca foi um dos meus desportos favoritos. Sempre achei que não tinha jeito para jogar futebol, embora tenha, desde o berço, uma grande paixão pelas cores Benfiquistas. Mas “Benfiquismos” à parte, porque o melhor clube é aquele que preza, acima de tudo, o bom desportivismo, esta noite detive-me a esperar por ver, pela TV, a chegada da Selecção Portuguesa a Neuchâtel, na Suíça, onde está localizado seu o quartel-general.
Num tempo que parece, a tantos níveis, tão pouco esperançoso ao Povo Luso, confesso que recordei o orgulho que todos vivemos aquando do Euro 2004 no nosso país. Orgulho porque, tal como em outros momentos da nossa Historia, fomos capazes de mostrar ao mundo que, este país outrora tão grande em território, é hoje grande no coração das suas gentes, no acolhimento, e na vontade de vencer.
Estamos a iniciar o Euro 2008, desta feita na Suíça, sob o lema “Portugal movido a vontade de vencer”…
Vencer objectivos e metas parte sempre dessa vontade de ser grande e não tenhamos dúvida que a tantos níveis Portugal é um país de gente nobre e grande.
Até onde chegará a Selecção Portuguesa, que vitórias ou derrotas terá neste campeonato da Europa não sabemos. Mas uma coisa é certa, ver ali – na Suíça – milhares de motards e muitos milhares de tantos outros Portugueses à espera da Selecção fez-me lembrar que há quatro ano atrás até eu – que nada percebo de futebol - me vestia a rigor para descer a avenida a gritar por Portugal.
É o orgulho sim de ser Português!
Neste dia quero manifestar este sentimento e a esperança de que a “vontade de vencer” possa levar a nossa Selecção a muitas vitórias sendo que a maior de todas elas é sermos Portugueses.
Os nossos Governantes aos poucos vão tirando os símbolos cristãos, como a Cruz, de espaços públicos mas, ainda, os temos presentes na nossa Bandeira, as Chagas de Cristo, são ainda um símbolo presente da fé de um Povo.
FORÇA PORTUGAL!!!
(Com a proclamação da República, foi adoptada a Bandeira Nacional Portuguesa verde e vermelha, em substituição da azul e branca.Além daquelas duas cores – verde-escuro e vermelho-claro – a Bandeira Portuguesa tem ao centro o escudo de Portugal sobre a esfera armilar – em amarelo – que representa as nossas descobertas marítimas, através de todo o globo terrestre. O Escudo – em vermelho e branco – contém ao centro as cinco quinas – em azul – que representam os cinco reis mouros vencidos em Ourique por D. Afonso Henriques. Os cinco pontos brancos que se vêem em cada quina representam as cinco chagas de Jesus Cristo. Os sete castelos – em amarelo – sobre a parte vermelha do escudo, simbolizam os sete castelos (Albufeira, Aljezur, Cacela, Castro Marim, Estombar, Paderne e Sagres) tomados aos mouros por D. Afonso III.)
31 Maio 2008
Irmãs Hospitaleiras
* Um coração simples e pobre como o Teu para podermos viver em alegre esperança.
* Um coração orante e contemplativo para descobrirmos constantemente os passos de Jesus na histeria pessoal e Congregacional.
* Um coração cheio de Amor, que viva em total disponibilidade a vontade do Pai e em serviço generoso aos irmãos.
* Um coração forte e sereno para amarmos a Cruz e contagiarmos os homens de esperança.
* Um coração de discípulas, para que escutemos constantemente a Palavra a acolha no nosso coração e a comuniquemos com alegria.
* Um coração peregrino de Hospitalidade, para caminharmos Contigo e como Tu onde seja necessário servir o Teu Filho Jesus.
* Senhora do Coração de Jesus, em Tua Ternura acolhe o nosso ser, leva-nos ao Coração do Teu Jesus, transforma o nosso coração e faz dele Ternura para o Irmão…
* Em teu sorriso acolhe todos os nossos sonhos e leva-nos ao Coração do Teu Jesus, para que Ele transforme o nosso serviço e o faça Entrega para o Irmão…
* Em Tua Hospitalidade acolhe os nossos projectos e leva-nos ao Coração do Teu Jesus, para que Ele transforme o nosso caminhar e o faça Oásis para o Irmão…
* Em Teu Coração acolhe as nossas dúvidas e entusiasmo e leva-nos ao Coração do Teu Jesus, para que Ele transforme as nossas experiências e as faça Vida para o Irmão…
* Senhora do Coração de Jesus, Tu és Entrega incondicional, Tu és Amor Materno, Tu és Rainha e Mãe de Misericórdia! Contigo queremos partilhar a dor dos nossos irmãos, Contigo queremos oferecê-la ao nosso Deus! …
* Senhora do Coração de Jesus, que em Ti sejamos cada dia mais Hospitaleiras, na Verdade, na Justiça e no Amor…
Uma Irmã Hospitaleira
Maria de Nazaré, minha Mãe... (reposição)
Terminamos o Mês de Maria.Neste dia em que a Igreja Celebra a Mulher Solidária que se põe a caminho para ajudar a Sua prima Isabel, Aquela que é proclamada FELIZ PORQUE ACREDITOU, dia de encontro do Messias com o Precursor e, por isso dia de alegria, deixo aqui o sentir do coração de uma mãe a quem pedi que contemplasse a imagem ao lado e deixasse o coração falar.
Que Maria, Mulher de Nazaré, Senhora da Visitação, a todos conceda a Sua paz…
Maria de Nazaré, Minha Mãe!
Há tantas maneiras bonitas dos nos dirigirmos a Ti!
Algumas apelam à Tua bondade, outras ao Deus que habita em Ti, outras ainda, ao Teu imensurável Amor, ao Teu ser pleno Amor.
MÃE, poder chamar-Te assim, é já Bênção sublime da maternidade divina, que nos espera e acolhe.
Na minha humana pobreza, gosto tanto de apelar e sentir a Tua Humanidade: única mas comum a qualquer mulher ou ser maternal; gosto de ir ao Teu encontro e contemplar-Te com o coração no Esplendor divino.
Faz-me caminhar e acreditar na humildade de ser pessoa e incentiva-me a procurar a forma recta, pobre e simples, para viver os episódios comuns à vida terrena pois também Tu viveste a condição simples de ser a “Maria de Nazaré”.
Aqui desperto para a magnitude do Teu exemplo: ser “Mãe do meu Senhor”, trazê-Lo no seio, dar-Lhe colo, adormecê-Lo, acarinhá-Lo…e, como eu, viver a mesma condição, sujeita a dificuldades e tristezas, incompreensão e trabalho, lágrimas e alegrias.
Imagino-Te, Mãe e Rainha, nas situações comuns da vida familiar e social e fico a contemplar a beleza do segredo da relação íntima e privilegiada que, a cada momento, vivias com Deus, também Teu Senhor.
Justamente assim, foste sempre, desde o primeiro momento da Tua vida, o “Cenáculo de Deus”, porque viveste sem mácula e com um coração sereno e fiel que aceitou TUDO, até o fardo de ser a nossa intermediária junto do Pai, agora e para sempre.
Francisco de Assis chamava-Te “A Senhora pobre, a Mãe pobre, a Virgem pobre…” porque entendia que nunca poderia deixar de ser pobre Aquela que iria ser a Mãe de um Deus que se fez pobre.
Maria, a mulher de Nazaré, despojada e disponível que se entrega com a “humildade duma serva” mas que no coração tem o esplendor infinito da Fé e da Santidade que a leva ao silêncio, à obediência e à acção.
Hoje está muito claro que em Ti Deus realizou a Grande Família da Igreja e da Humanidade, fazendo-Te “Mãe de Jesus e Mãe nossa”.
Talvez por isso, nunca encontramos o Teu coração ou as Tuas mãos vazias. Quer nelas esteja um Menino, uma bênção ou uma oração, isso significa que estás sempre do nosso lado, a proteger, a ensinar e a distribuir ajuda.
Então, o Teu lugar só podia ser junto do Pai, a segredar-Lhe o que Te pedimos e a serenar as desavenças que nós, Teus Filhos, Lhe causamos.
Na verdade, Maria de Nazaré é mesmo Mãe, a nossa Mãe que está no Reino de Deus, junto do Pai e que nunca se cansa de olhar por nós!
“Lídia”















